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Setor de árvores cultivadas bate recordes e atrai R$ 75 bilhões em investimentos

28 de outubro de 2026
Setor de árvores cultivadas bate recordes e atrai R$ 75 bilhões em investimentos

Destaques

  • •Indústria de árvores cultivadas no Brasil registra recordes de produção e exportação de celulose em 2025.
  • •Carteira de investimentos do setor soma R$ 75 bilhões até 2029, impulsionada por novas fábricas e expansão de plantios.
  • •Desafios como protecionismo internacional, escassez de mão de obra qualificada e gargalos de infraestrutura precisam ser superados para manter o crescimento.

O setor de árvores cultivadas no Brasil continua a expandir sua atuação e a atrair investimentos significativos, mesmo diante de um cenário global de protecionismo. Em 2025, o país manteve a liderança mundial nas exportações de celulose e se consolidou como o segundo maior produtor global, registrando recordes de produção e exportação. A atividade, que envolve desde viveiros até a produção de bens de consumo final, emprega milhares de trabalhadores e utiliza pesquisa, tecnologia e inovação para abastecer mercados internacionais com produtos essenciais.

Grandes investimentos estão sendo feitos em novas unidades industriais. No Mato Grosso do Sul, a Suzano inaugurou a maior fábrica de celulose em linha única do mundo em Ribas do Rio Pardo, e a Arauco constrói outra em Inocência, que será a maior indústria global do setor. No Rio Grande do Sul, a CMPC licenciou um projeto industrial em Barra do Ribeiro. Essas novas plantas ampliam a capacidade produtiva e promovem o desenvolvimento em regiões com menor dinamismo econômico.

Ciência e produtividade impulsionam o setor

A produtividade média das árvores cultivadas no Brasil mais do que triplicou desde os anos 1970. Esse avanço é atribuído ao capital humano e à ciência aplicada, com destaque para o melhoramento genético, a clonagem e o aperfeiçoamento das técnicas de manejo. Pesquisas buscam desenvolver árvores mais resistentes a pragas e condições climáticas adversas. Além disso, a adoção de certificações internacionais como FSC e PEFC garante práticas ambientais e sociais sustentáveis, exigidas por compradores globais.

A diversidade de aplicações da madeira e suas fibras é notável, com produtos que vão de embalagens a tecidos de viscose. Essa versatilidade se alinha à expansão da bioeconomia, que busca substituir materiais de origem fóssil por recursos renováveis. A reciclagem e a biodegradação dos produtos são aspectos importantes, com embalagens de papel, por exemplo, sendo transformadas em novos materiais.

Expansão com sustentabilidade e novos segmentos

O crescimento da indústria tem levado à expansão de áreas de cultivo, com o Mato Grosso do Sul liderando esse movimento em 2025, muitas vezes pela conversão de pastagens de baixa produtividade. Nas propriedades florestais, o manejo em mosaico intercala áreas de cultivo com vegetação nativa conservada, formando corredores ecológicos e protegendo a biodiversidade. O sequestro de carbono pelas árvores e seu armazenamento na madeira e nos produtos também são benefícios ambientais.

Um novo segmento promissor é a restauração florestal, com empresas focadas na recuperação de áreas degradadas e na silvicultura de espécies nativas. Essa atividade envolve projetos de recomposição vegetal, produção de mudas e negócios ligados a créditos de carbono e produtos madeireiros e não madeireiros. A experiência da indústria de árvores cultivadas é aplicada ao cultivo de espécies nativas para a recuperação de áreas como a Mata Atlântica, e busca modelos de financiamento para acompanhar o desenvolvimento das florestas.

Desafios e perspectivas futuras

Apesar dos resultados positivos, o setor enfrenta desafios. No mercado internacional, o protecionismo e disputas comerciais impactam as exportações. Internamente, a escassez de profissionais qualificados é uma preocupação, levando a parcerias com governos e instituições para desenvolver programas de capacitação. Gargalos de infraestrutura, como rodovias, ferrovias e portos, também persistem, exigindo um ambiente de segurança jurídica e previsibilidade regulatória para atrair capital externo.

As mudanças climáticas demandam pesquisas em biotecnologias para desenvolver árvores mais resistentes a eventos extremos. O presidente da Ibá, Paulo Hartung, destaca a trajetória notável em tecnologias como clonagem e melhoramento genético, mas ressalta a necessidade de explorar novas trilhas para enfrentar os desafios climáticos. Ele prevê um futuro próspero para a indústria, mas enfatiza a importância de endereçar os obstáculos existentes.

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