Seca em Sergipe: 11 municípios em emergência, animais morrem e famílias perdem renda

Destaques
- •Seca severa atinge 11 municípios de Sergipe, levando animais à morte e famílias à perda de renda.
- •Produtores de leite enfrentam prejuízos em cadeia com queda na produção e aumento de custos com ração.
- •Famílias recorrem a benefícios sociais e vendem rebanhos para sobreviver à estiagem.
A seca severa atingiu 11 municípios de Sergipe, forçando a declaração de situação de emergência. A falta de pasto e água tem levado à morte de animais e deixado famílias produtoras sem fonte de renda, agravando a crise na região Nordeste do Brasil.
A situação é crítica para os produtores de leite, que sofrem um prejuízo em cadeia. Os animais perdem peso, a produção de leite cai drasticamente e muitos não resistem às condições adversas. Em Poço Redondo, a estiagem secou riachos e açudes, dizimando lavouras de milho e deixando os animais sem alimento. O aumento no custo da ração tornou inviável a manutenção dos rebanhos.
Produtores forçados a vender rebanhos
Diante da impossibilidade de alimentar os animais, muitos criadores foram forçados a tomar medidas drásticas. O produtor Cleiton Feitosa, por exemplo, teve que vender 16 de suas 20 vacas para evitar a morte do restante do seu gado. A perda da lavoura de milho e a falta de pasto o deixaram sem opções.
A história se repete com Genildo dos Santos, que precisou vender todo o seu rebanho de 26 vacas leiteiras. O gado era a única fonte de sustento de sua família, que agora depende exclusivamente de um benefício social para sobreviver. "Não tinha como a gente sobreviver. [Não tinha dinheiro] nem pra a gente, nem pra elas. Aí tivemos que vender. A gente ficou com o coração magoado. Ainda hoje estamos", relatou.
Animais enfraquecidos e futuro incerto
O cenário é desolador para os animais que restaram. José Valmir Gomes perdeu quatro animais e os que ainda vivem estão magros e enfraquecem a cada dia. Ele descreveu a cena de um animal que não resistiu, mesmo estando prenha, e mostrou o feto que não pôde nascer.
O único alimento que resta para o rebanho é a palma, mas a quantidade disponível é suficiente apenas para mais um mês. Os criadores clamam por chuva para que a situação retorne ao normal. "É pedir sorte a Deus que chova e as coisas voltem ao normal como era", desabafou Gomes.



