Tesouro Direto: Taxas disparam e causam perdas em títulos prefixados

Destaques
- •Maior alta diária de taxas na história do Tesouro Direto após eleição de Lula causa perdas em títulos prefixados.
- •Investidor que comprou R$ 10 mil em Tesouro Prefixado 2029 na sexta e vendeu na segunda perdeu R$ 458.
- •Especialistas recomendam cautela e análise de prazo para evitar perdas com a marcação a mercado.
A segunda-feira (26) registrou a maior alta diária de taxas na série histórica do Tesouro Direto desde 2004, impactando diretamente investidores em títulos prefixados e atrelados à inflação. O Tesouro Prefixado 2029, por exemplo, saltou de 12,76% ao ano no fechamento de sexta-feira (23) para 15,26% no fim de segunda-feira, um aumento de 2,5 pontos percentuais em um único dia útil.
Esse movimento brusco é resultado da chamada marcação a mercado, mecanismo que ajusta o preço dos títulos de acordo com as condições atuais do mercado. Para o investidor, isso significa que o valor do título pode variar significativamente entre a compra e a venda, especialmente em períodos de alta volatilidade nas taxas de juros.
O impacto da marcação a mercado
A marcação a mercado pode gerar perdas significativas para quem decide vender um título antes do vencimento, em um cenário de alta de juros. Uma simulação do InfoMoney, com base em dados do educador financeiro Matheus Oka, da Fire|ce, mostrou que um investidor que aplicou R$ 10 mil no Tesouro Prefixado 2029 na sexta-feira (23), a 12,76% ao ano, e vendeu na segunda-feira (26), a 15,26% ao ano, teria um prejuízo de aproximadamente R$ 458. Essa perda equivale a cerca de quatro meses e meio de rendimento do próprio título.
Matheus Oka compara o título prefixado a uma gangorra, onde a taxa de juros e o preço do papel se movem em direções opostas. "Quando a taxa sobe, o preço desce", explica. Um título comprado com uma taxa de 12,76% ao ano perde valor quando o mercado passa a oferecer um papel similar com rendimento de 15,26% ao ano, pois "ninguém aceita pagar o mesmo preço por um papel que rende menos".
Ganhos e perdas com a volatilidade
A volatilidade do mercado de renda fixa pode ser uma oportunidade de ganho, mas também representa um risco considerável. Uma segunda simulação de Oka, com um aporte de R$ 10 mil aplicado em 27 de outubro e resgatado seis meses depois, analisou o desempenho do Tesouro Prefixado 2029 (comprado a 14,79% ao ano) e do Tesouro IPCA+ 2032 (a IPCA + 7,64%), considerando diferentes cenários de variação das taxas.
Os resultados líquidos, após Imposto de Renda e taxa de custódia, mostraram que o Tesouro Prefixado 2029 pode gerar ganhos de até R$ 734 em um cenário de queda de 1,5 ponto percentual nas taxas. Já o Tesouro IPCA+ 2032, com prazo mais longo, oferece maior potencial de ganho (até R$ 1.111) em caso de queda de juros, mas também é mais sensível a altas, podendo gerar prejuízo de R$ 170 em um cenário de elevação de 1,5 ponto percentual.
O especialista ressalta que ganhar com a volatilidade é especulação e exige que o investidor conheça o risco assumido. As taxas voltaram a subir na quinta-feira (29), com o Prefixado 2029 negociado a 14,93% e o IPCA+ 2032 a 7,93%.
Recomendações para o investidor
A recomendação de investimento depende do objetivo e do prazo do investidor. Para quem tem um objetivo de curto prazo, próximo ao vencimento do título, as taxas atuais são consideradas historicamente altas e garantem um bom retorno se o papel for mantido até o final. No entanto, para o dinheiro que pode ser necessário em breve, a indicação é manter aplicações em Tesouro Selic ou em fundos de liquidez diária, que são menos afetados pela marcação a mercado.
Rodrigo Sgavioli, citado no material, sugere que investir exigirá mais atenção e prazos mais curtos na renda fixa, além de uma atuação mais tática por parte do investidor diante do cenário de maior volatilidade.



