Santander Brasil tem lucro de R$ 2,9 bilhões no 3T26, queda de 28%

Destaques
- •Lucro líquido recorrente do Santander Brasil no 3T26 foi de R$ 2,9 bilhões, 28% menor que no ano anterior.
- •Queda no lucro foi influenciada pela margem financeira com clientes e aumento da inadimplência.
- •Banco busca maior seletividade na concessão de crédito para focar em rentabilidade sustentável.
O Santander Brasil (SANB11) divulgou nesta quarta-feira (28) seu resultado financeiro do terceiro trimestre de 2026 (3T26), reportando um lucro líquido gerencial recorrente de R$ 2,9 bilhões. O valor representa uma queda de 28% em relação ao mesmo período de 2025 e ficou abaixo das expectativas do mercado, que projetava lucro de R$ 3,161 bilhões, segundo o consenso da Bloomberg.
O retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE) encerrou o trimestre em 11,9%, aquém da projeção de 12,7% dos analistas e 5,6 pontos percentuais menor do que no ano anterior. O CEO do Santander Brasil, Gilson Finkelsztain, atribuiu os números ao ambiente macroeconômico, que exige disciplina e seletividade, mas destacou os ajustes para fortalecer o crescimento sustentável.
Estratégia de rentabilidade e composição da carteira
A instituição tem priorizado a rentabilidade em detrimento do crescimento acelerado, o que tem levado a uma concessão de crédito mais seletiva. O banco busca ampliar a participação de modalidades consideradas menos arriscadas, como crédito com garantia, financiamento imobiliário e de veículos novos, além de linhas para clientes de maior renda.
Essa mudança de estratégia, embora vise a sustentabilidade a longo prazo, pressiona as margens financeiras no curto prazo. A carteira de crédito ampliada do Santander totalizou R$ 721 bilhões no 3T26, com alta de 4,7% na comparação anual e de 0,9% frente ao trimestre anterior.
Margem financeira e inadimplência sob pressão
A margem financeira total alcançou R$ 14,9 bilhões no terceiro trimestre, uma leve contração de 1,6% em relação ao mesmo período de 2025 e de 2,5% frente ao trimestre anterior. A margem financeira com clientes recuou 4,2% na comparação anual, a R$ 15,9 bilhões.
A qualidade da carteira de crédito segue como ponto de atenção. O índice de inadimplência acima de 90 dias (NPL) ficou em 3,4%, alta de 0,6 ponto percentual na comparação anual. O NPL formation, que mede a formação de novos créditos problemáticos, somou R$ 7,2 bilhões, alta de 2,6% em relação ao ano anterior. As despesas com provisões para perdas de crédito (PDD) totalizaram R$ 7,4 bilhões, alta de 14,3% na comparação anual.
Receitas e despesas gerais
As receitas com prestação de serviços e tarifas somaram R$ 5,4 bilhões, um recuo de 2,4% na comparação anual. As despesas gerais e administrativas totalizaram R$ 6,3 bilhões, queda de 0,6% em relação ao mesmo período do ano passado.
A administração do banco comentará sobre o cenário macroeconômico, tendências de crédito e perspectivas para inadimplência e rentabilidade nos próximos trimestres. Uma surpresa positiva nos resultados futuros pode servir como gatilho para uma revisão das expectativas dos investidores, que ainda veem as ações do Santander com desempenho inferior a concorrentes como Itaú Unibanco (ITUB4) e Banco do Brasil (BBAS3).
Matérias originais
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