Samarco destina R$ 82,6 bilhões para reparação e recuperação ambiental no Rio Doce

Destaques
- •Samarco, Vale e BHP Brasil investem mais de R$ 82,6 bilhões em ações de reparação e desenvolvimento sustentável na Bacia do Rio Doce.
- •Esforços incluem reflorestamento, bioengenharia de margens e recuperação de nascentes, com mais de 1 milhão de mudas plantadas.
- •Novo Acordo do Rio Doce, homologado há dois anos, direciona os esforços de longo prazo para a revitalização da região.
Desde o rompimento da barragem de Fundão em Mariana (MG), em novembro de 2015, a Samarco e suas acionistas Vale e BHP Brasil têm investido massivamente na recuperação ambiental e no desenvolvimento sustentável da Bacia do Rio Doce. Um total de mais de R$ 82,6 bilhões foi destinado para reparação e indenização de pessoas e áreas afetadas, com ações que se estendem até setembro de 2026. O Novo Acordo do Rio Doce, homologado há dois anos, em 25 de outubro de 2024, estabelece as diretrizes para esse processo de longo prazo.
O desafio de recuperar uma floresta atingida por 43,7 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério de ferro exige uma abordagem multifacetada. As ações de reparação, iniciadas entre 2016 e 2024, focam na proteção do solo, recuperação de nascentes e áreas de preservação permanente (APPs), e na garantia da qualidade, quantidade e perenidade da água. A recuperação e preservação dessas áreas também contribuem para a adequação ambiental de propriedades rurais.
Metodologias de Recuperação Florestal
A complexidade e a escala do território exigem diferentes metodologias para a recuperação florestal. Segundo Thaís Silva, analista ambiental da Samarco, as abordagens incluem restauração passiva, assistida e ativa, adaptadas às condições de cada propriedade e ao estágio de regeneração da vegetação. As principais ações envolvem o cercamento e proteção de áreas, plantio direto, enriquecimento com espécies nativas, produção de mudas e coleta de sementes.
O cercamento é crucial para impedir o acesso de animais, permitindo a recomposição da vegetação e protegendo o solo, a água e as nascentes. A coleta de sementes e a produção de mudas são etapas fundamentais, com a Rede de Sementes e Mudas tendo coletado 204 toneladas de sementes de 354 espécies nativas até setembro, suportando a produção de 14,4 milhões de mudas.
Ações de Reflorestamento e Bioengenharia
O trabalho de recuperação se divide em duas frentes principais. A primeira foca em reflorestamento e bioengenharia nas margens de rios na região mais atingida, visando recuperar e estabilizar APPs. Técnicas como hidrossemeadura, plantio focal de espécies de contenção (como capim vetiver), e o uso de biomantas e geotêxteis são aplicadas para proteção contra erosão. Em superfícies erodidas, utilizam-se revestimentos com pedras e muros de gabião, além de estruturas de drenagem.
A segunda frente abrange o reflorestamento compensatório em áreas não diretamente atingidas, mas que compõem o ecossistema da Bacia do Rio Doce. Essas iniciativas incluem avaliação ambiental, proteção de terrenos, regeneração natural e plantio de espécies nativas da Mata Atlântica. Mais de 357 hectares estão em recuperação florestal na área mais afetada, com mais de 1 milhão de mudas de mais de 300 espécies nativas plantadas. Para a restauração compensatória, até setembro de 2026, 47.900 hectares estavam cercados para reflorestamento e cerca de 4.600 nascentes protegidas, envolvendo mais de 3.000 propriedades rurais.
Resultados e Próximos Passos
As iniciativas já demonstram resultados visíveis. Observa-se aumento na densidade e diversidade de espécies vegetais, crescimento das mudas e estabilização do solo nas planícies de inundação e margens, reduzindo a turbidez dos cursos d’água. Estudos da Universidade Federal de Viçosa apontaram a presença de serrapilheira, indicativo de bom desenvolvimento ecológico.
A recuperação de nascentes e APPs contribui para a qualidade e perenidade da água e para a adequação ambiental das propriedades. O Novo Acordo do Rio Doce prevê a continuidade da restauração florestal de 50.000 hectares e a recuperação de 5.000 nascentes. Cerca de 3.000 profissionais estão envolvidos na cadeia de restauração, desde a coleta de sementes até o monitoramento das áreas.
Matérias originais
- Entenda o processo de recuperação das florestas da Bacia do Rio Doce · super.abril.com.br



