Emissões de debêntures incentivadas sobem em setembro, mas caem no acumulado do ano

Destaques
- •Emissões de debêntures incentivadas saltaram para R$ 6,3 bilhões em setembro, revertendo a queda de agosto.
- •Apesar da recuperação mensal, o volume acumulado no ano apresenta retração de 30,5% em relação a 2025.
- •Debate sobre possível tributação de LCI, LCA, CRI, CRA e debêntures incentivadas volta ao radar do governo.
As emissões de debêntures incentivadas registraram uma recuperação em setembro, atingindo R$ 6,3 bilhões, um salto expressivo em comparação aos R$ 170 milhões de agosto. Segundo dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), o volume de agosto havia sido o menor para um mês desde 2019.
Apesar da melhora pontual, o desempenho de setembro ainda ficou 61,3% abaixo do registrado no mesmo mês de 2025, quando o volume foi de R$ 16,3 bilhões. No acumulado de janeiro a setembro, as ofertas totalizaram R$ 79,1 bilhões, representando uma queda de 30,5% na comparação anual. A participação das debêntures incentivadas no total de emissões de debêntures caiu de 35,7% em 2025 para 30,3% em 2026.
Mercado secundário em alta
No mercado secundário, o cenário foi mais positivo, com crescimento tanto na comparação mensal quanto anual. As negociações com debêntures incentivadas somaram R$ 33,7 bilhões em setembro, um avanço de 19,1% sobre agosto e de 10,1% em relação a setembro de 2025. No acumulado de 2026, o volume negociado cresceu 20,9%, alcançando R$ 309,8 bilhões.
A Anbima destacou que as debêntures incentivadas foram o principal motor do mercado secundário de debêntures como um todo. Entre janeiro e setembro, o mercado secundário movimentou R$ 689 bilhões, um crescimento de 5,8%. A participação desses papéis no volume negociado subiu de 39,3% no mesmo período de 2025 para 45% em 2026.
Erika Lacreta, gerente de Mercado de Capitais da Anbima, atribuiu o avanço à alta dos spreads das incentivadas ao longo do ano, que estimulou a compra e venda desses títulos. "Esse movimento mostra a capacidade do secundário de absorver esses ajustes e continuar dando liquidez aos ativos, mesmo em um cenário de maior volatilidade", afirmou.
Tributação volta ao radar
Os dados sobre o mercado de debêntures surgem em meio à retomada do debate sobre a tributação de ativos isentos. A equipe econômica do governo estuda a possibilidade de cobrar IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) sobre LCI (Letra de Crédito Imobiliário), LCA (Letra de Crédito do Agronegócio), CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários), CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio) e debêntures incentivadas. Atualmente, esses ativos são isentos de Imposto de Renda para pessoas físicas e possuem alíquota zero de IOF.
Segundo o jornal O Globo, a mudança poderia ser feita por decreto, sem a necessidade de aprovação do Congresso. Embora o governo tenha negado a intenção, admitiu que o tema permanece em pauta. Essa discussão retoma uma tentativa anterior, em 2025, quando uma medida provisória que previa a tributação de novas emissões perdeu a validade sem ser votada.
Profissionais do mercado ouvidos pelo InfoMoney consideram legítima a revisão da isenção, mas expressam preocupação com o impacto de uma mudança abrupta. Temem que a falta de regras claras e a ausência de preservação do estoque de títulos já emitidos possam levar a um encarecimento do crédito para empresas e investidores.


