Sabesp tem lucro líquido de R$ 1,1 bi no 3T26, queda de 13,8%; ação sobe

Destaques
- •Sabesp reportou lucro líquido ajustado de R$ 1,107 bilhão no terceiro trimestre de 2026, uma queda de 13,8% em relação ao mesmo período de 2025.
- •Apesar da queda no lucro líquido, o Ebitda ajustado da companhia cresceu 14%, impulsionado pela boa execução dos custos operacionais.
- •Investimentos da Sabesp alcançaram R$ 4,5 bilhões no trimestre, com expectativa de concentração de R$ 6 bilhões no quarto trimestre para atingir a meta anual.
A Sabesp (SBSP3) divulgou na noite desta quinta-feira (5) que seu lucro líquido ajustado no terceiro trimestre de 2026 foi de R$ 1,107 bilhão, representando uma queda de 13,8% em comparação com o mesmo período de 2025. Apesar do recuo no lucro líquido, o desempenho operacional da companhia nos três meses foi destacado por analistas. As ações da empresa operam em alta desde a abertura do pregão seguinte à divulgação dos resultados.
O lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado da companhia atingiu R$ 3,64 bilhões no período, um crescimento de 14% em relação ao terceiro trimestre de 2025. Para o Itaú BBA, a composição do resultado foi um ponto positivo, demonstrando sustentação pela boa execução dos custos operacionais recorrentes, e não por itens não recorrentes, o que foi considerado tranquilizador.
Desempenho operacional e custos sob controle
Analistas do Itaú BBA observaram que, mesmo com premissas de custos já otimistas, as despesas da Sabesp com serviços continuaram abaixo do esperado. O principal desvio em relação às estimativas do banco veio das receitas, com uma diferença negativa de aproximadamente R$ 150 milhões. No entanto, esse efeito foi amplamente compensado pelos custos, que ficaram cerca de R$ 110 milhões abaixo da previsão.
O Bradesco BBI também apontou que, apesar das receitas ligeiramente menores que o previsto, as despesas com PMSO (Pessoal, Material, Serviços de Terceiros e Outras Despesas) inferiores às calculadas anteriormente compensaram o desempenho. Ao final do terceiro trimestre, as despesas com pessoal e serviços apresentaram uma queda de 9% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O Goldman Sachs destacou que esse desempenho ocorreu apesar dos cerca de R$ 110 milhões gastos em iniciativas do plano comercial implementadas durante o trimestre. O resultado também foi impulsionado por iniciativas de transformação operacional, cujos efeitos positivos continuam sendo observados nos relatórios da Sabesp. Mesmo um maior volume de provisões para devedores duvidosos foi mitigado por custos menores com insumos para tratamento de água e esgoto.
Investimentos e próximos passos
O Itaú BBA indicou que a frente de capex (investimentos) continua sendo o principal ponto de acompanhamento. Ao final do terceiro trimestre, os investimentos da Sabesp alcançaram R$ 4,5 bilhões, um aumento de 21% em relação ao trimestre anterior. Para a maioria dos bancos, os resultados ficaram abaixo das estimativas.
De acordo com o Itaú BBA, a curva de execução do capex está bastante concentrada no final do ano, o que deve resultar em uma concentração ainda maior da unitização no quarto trimestre. A estimativa do banco é de que a Sabesp precise executar aproximadamente R$ 6 bilhões em investimentos no quarto trimestre para atingir pelo menos R$ 18 bilhões no acumulado do ano. Até o momento, os investimentos somam R$ 12 bilhões.
O Bradesco BBI ressaltou que, apesar do desempenho inferior ao esperado, a sazonalidade trimestral é difícil de modelar, pois historicamente os investimentos costumam apresentar sua maior aceleração no quarto trimestre de cada ano.
Matérias originais
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