Paraguai: Senado rejeita defesa de Peña em processo de impeachment

Destaques
- •Senado paraguaio rejeitou pedido de prazo de 72 horas do presidente Santiago Peña para apresentar sua defesa em processo de impeachment.
- •A crise no Ueno Bank, que teve sua liquidação decretada pelo Banco Central do Paraguai, motivou as acusações contra Peña, que teria tido participação no grupo proprietário do banco.
- •O julgamento de impeachment segue no Senado, enquanto o presidente Peña permanece no cargo, aguardando análise de seu pedido de renúncia.
O Senado do Paraguai rejeitou nesta sexta-feira (6) o pedido de prorrogação de 72 horas apresentado pelos advogados do presidente Santiago Peña para que ele pudesse apresentar sua defesa no processo de impeachment. A decisão foi tomada por 39 votos contrários, com 2 abstenções, e impede que o chefe de Estado ganhe mais tempo para se defender das acusações relacionadas à crise do Ueno Bank.
O processo de impeachment contra Peña foi aprovado pela Câmara dos Deputados na quinta-feira (5), de forma unânime. A Casa Legislativa negou, no entanto, o pedido de impeachment contra o vice-presidente Pedro Alliana, que deve assumir o governo caso Peña seja destituído. O presidente não compareceu ao Senado, mas seus advogados, Adolfo Ferreiro e Ricardo Preda, estiveram presentes para apresentar a defesa.
Crise no Ueno Bank e acusações contra Peña
A crise financeira que abala o Paraguai teve início na terça-feira (3), quando o Banco Central do Paraguai decretou a liquidação do Ueno Bank, o maior banco digital do país. A instituição financeira, de propriedade do Grupo Vázquez, apresentava um déficit em seus índices de solvência, relacionado a empréstimos concedidos a empresas vinculadas.
O Ueno Bank possuía cerca de 3 milhões de clientes e administrava aproximadamente US$ 850 milhões (cerca de R$ 4,6 bilhões) em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social. A oposição acusou Peña de conflito de interesses, manipulação regulatória, desvio de recursos previdenciários e encobrimento institucional por parte do Banco Central.
Santiago Peña, que assumiu o governo em 2023, foi acionista até março do ano passado do grupo proprietário do banco. A deputada da oposição Rocío Vallejo afirmou que o presidente é a "origem desse monstro que criou".
Renúncia e o futuro político de Peña
Apesar da crise, a renúncia de Santiago Peña, anunciada na quinta-feira (5), não foi suficiente para amenizar a situação política. O Congresso paraguaio deu continuidade ao processo de juízo político. A imprensa local revelou que Peña era acionista do Ueno até maio de 2025 e que o próprio presidente do Banco Central paraguaio, Carlos Carvallo – que também renunciou –, foi diretor da empresa.
O líder opositor Efraín Alegre considera a renúncia uma "manobra para tentar não perder os direitos políticos". Segundo a legislação paraguaia, ex-presidentes têm direito a uma cadeira vitalícia no Senado, com imunidade, exceto em caso de destituição por impeachment. Se a renúncia for aprovada antes de uma condenação, Peña poderia se tornar senador vitalício.
Alegre também aponta o envolvimento do ex-presidente Horacio Cartes na articulação para salvar Peña. "Trata-se de uma máfia que conta com a participação não apenas do Poder Executivo e de instituições como o Banco Central, mas também de cúmplices importantes dentro do Congresso", disse.
Impacto no Brasil e na Itaipu Binacional
A Itaipu Binacional informou que a crise no Paraguai, envolvendo a liquidação do Ueno Bank, não impacta os recursos financeiros do lado brasileiro nem a produção da hidrelétrica. A usina opera com contas separadas para cada país.
A preocupação surgiu porque o lado paraguaio da usina tem ligação com o banco digital. Em outubro, a administração paraguaia informou ter movimentado cerca de US$ 49,8 milhões (R$ 274,7 milhões) por meio da instituição entre 2023 e 2026. O fundo de pensão dos trabalhadores da margem paraguaia da usina tem 100,69 bilhões de guaranis (R$ 89,9 milhões) investidos no Ueno.
A Itaipu Binacional esclareceu que "não há recursos financeiros sob gestão da margem brasileira depositados ou aplicados no Ueno Bank". A entidade assegurou que as aplicações financeiras seguem normas internas e que a operação da usina segue normalmente.
Matérias originais
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