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Carros elétricos usados desvalorizam quase o dobro de modelos a combustão no Brasil

06 de novembro de 2026
Carros elétricos usados desvalorizam quase o dobro de modelos a combustão no Brasil

Destaques

  • •Modelos elétricos usados acumulam desvalorização de 47,24% em três anos, contra 23,34% dos carros a combustão.
  • •A tecnologia de propulsão se tornou um fator relevante na formação de preços de revenda, impactando o custo total de propriedade.
  • •A expectativa é de continuidade da acomodação dos preços até o fim do ano, com variações por modelo e segmento.

Carros elétricos usados no Brasil acumulam desvalorização de 47,24% em apenas três anos, quase o dobro da perda registrada por automóveis a combustão no mesmo período. Os dados são do IBV Auto, índice do banco BV que acompanha a evolução dos preços de veículos leves usados. Enquanto isso, modelos populares mais antigos continuam a se valorizar, mesmo em um mercado que já mostra sinais de desaceleração.

O levantamento aponta que, entre os veículos do ano 2023, os elétricos perderam 47,24% de seu valor até outubro de 2026. Já os híbridos registraram desvalorização de 29,12%, e os modelos a combustão, de 23,34%. Essa diferença significativa indica que a tecnologia de propulsão se tornou um fator crucial na definição dos preços de revenda, influenciando o custo total de propriedade para o consumidor, que vai além do valor de compra, consumo e manutenção.

Fatores que influenciam a desvalorização

A evolução tecnológica acelerada, a crescente concorrência entre fabricantes, as flutuações nos preços dos modelos novos e as condições gerais do mercado de revenda são apontados como os principais responsáveis pela acentuada desvalorização dos elétricos usados. A rápida obsolescência tecnológica e a introdução de novos modelos com preços mais competitivos pressionam para baixo o valor dos veículos mais antigos.

Para Roberto Padovani, economista-chefe do banco BV, a desaceleração no mercado de usados é resultado da combinação de fatores econômicos e mudanças na concorrência. O ritmo mais moderado da atividade econômica e a competição com os veículos novos ajudam a conter os reajustes. No entanto, essa tendência não é uniforme, com modelos populares mais antigos mantendo parte de sua valorização, enquanto os de maior valor enfrentam maior pressão competitiva.

Mercado de usados: desaceleração e heterogeneidade

No mercado de usados como um todo, os preços continuam a subir, mas em um ritmo mais lento. Em outubro, a valorização média foi de 0,15%, metade da registrada em setembro. No acumulado do ano, os preços avançaram 4,02%, abaixo do mesmo período de 2025. Em 12 meses, a alta foi de 4,91%, também inferior à observada no mês anterior. Essa desaceleração indica uma tendência de moderação nos reajustes, mas não uma queda generalizada.

Os carros populares mais antigos, como o Ford Fiesta (alta de 4,83%), Fiat Uno (3,37%) e Volkswagen Fox (2,92%), foram os destaques positivos. Em contrapartida, modelos de maior valor, como o Chevrolet Tracker (queda de 2,01%), Jeep Renegade (1,74%) e Toyota Corolla (1,33%), apresentaram recuos. Essa disparidade mostra trajetórias opostas dentro do mesmo mercado, dependendo da faixa de preço e do segmento.

Disputa entre novos e usados e variações regionais

A disputa entre veículos novos e usados é um fator chave para a desaceleração dos preços. Quando as condições para adquirir um carro zero-quilômetro se tornam mais competitivas, a margem para reajustes no mercado de usados diminui, especialmente em segmentos de maior valor. Já os carros populares mais antigos atendem a um público com restrições orçamentárias, onde o preço de entrada é decisivo.

As diferenças regionais também são notáveis. A região Norte liderou a valorização dos usados em outubro (0,54%), enquanto o Sul registrou a maior retração (0,33%). Mato Grosso teve a maior alta estadual (1,09%), e Minas Gerais, a maior queda (0,82%). No acumulado de 12 meses, o Rio de Janeiro lidera com 6,24%.

Jamil Ganan, vice-presidente de Varejo do banco BV, explica que a composição das negociações em cada região, com veículos de diferentes faixas de preço e condições de oferta, ajuda a explicar essas variações. A expectativa é de continuidade da acomodação dos preços até o fim do ano, com comportamento variável por modelo e segmento.

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