Rússia e EUA discutem retomada de negociações de paz para Ucrânia

Destaques
- •Kremlin sinaliza disposição para retomar negociações trilaterais com EUA e Ucrânia após meados de novembro.
- •EUA buscam avançar propostas de paz, enquanto Rússia apresenta exigências para uma 'estrutura de segurança'.
- •Paralelamente, OTAN abre canal para Ucrânia comprar armas, visando agilizar e baratear suprimentos.
O Kremlin manifestou disposição para retomar as negociações de paz trilaterais entre Rússia, Estados Unidos e Ucrânia após meados de novembro. A declaração surge após encontros entre o enviado especial americano Steve Witkoff e os presidentes Vladimir Putin, da Rússia, e Volodymyr Zelensky, da Ucrânia. Os Estados Unidos buscam avançar propostas para encerrar o conflito, que já dura anos.
Witkoff se reuniu com Putin em São Petersburgo na quarta-feira (21), após um encontro com Zelensky na Noruega na terça-feira (20). O assessor russo Yury Ushakov informou que o Kremlin estaria aberto a discutir a criação de uma "estrutura de segurança" para a Rússia e a Ucrânia após o fim do conflito, mas sem detalhar as exigências russas. A próxima rodada de negociações trilaterais pode ocorrer em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, segundo Ushakov.
Esforços diplomáticos e exigências russas
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, expressou o desejo de que o encontro ocorra "no máximo até o início de novembro", mas ressaltou que a Rússia já cancelou negociações anteriormente. Um comunicado de uma autoridade americana confirmou a reunião e o objetivo de avançar os esforços do presidente Donald Trump para encerrar a guerra. Witkoff descreveu os encontros como "construtivos" e afirmou que as discussões continuarão.
Apesar do otimismo declarado, não há sinais de que a Rússia tenha recuado de suas posições. Anteriormente, Moscou exigiu a cessão de toda a região de Donbas, a drástica redução das Forças Armadas ucranianas e a renúncia à adesão à OTAN. Durante as conversas, Putin também demonstrou interesse na cooperação econômica com os EUA e em um encontro com a China para discutir a Ucrânia.
Paralelos: OTAN e tensões EUA-Ucrânia
Em um desenvolvimento paralelo, a OTAN anunciou que abrirá sua Agência de Apoio e Aquisições (NSPA) para a Ucrânia. Isso permitirá que o país compre armas, munições e equipamentos militares por meio de um canal centralizado, o que deve agilizar entregas e reduzir custos. A diretora de apoio operacional da agência, Jacqueline Borsboom, explicou que a Ucrânia poderá solicitar itens e a agência gerenciará a compra, aproveitando economias de escala.
Essa decisão ocorre em meio à deterioração das relações entre Washington e Kiev, marcada por um acordo sobre o diesel russo firmado entre Trump e Putin em 9 de outubro. Zelensky classificou o acordo como "injusto e desonesto", gerando críticas mútuas entre os líderes. A Ucrânia também apresentou "progressos significativos" em conversas com os EUA e a Europa em Oslo, definindo uma posição coordenada sobre os próximos passos para resolver a crise.
Um dos resultados concretos da reunião entre Witkoff e Putin foi a libertação do cidadão americano Stephen Hubbard, detido na Rússia há mais de quatro anos. Witkoff elogiou Putin como "humanitário" pela concessão do perdão. As discussões também abrangeram a possibilidade de um acordo sobre exportações de fertilizantes russos para os EUA e a resolução do conflito no Irã.
Matérias originais
- Rússia aceita retomar negociações de paz com Ucrânia em novembro · cnnbrasil.com.br
- OTAN autoriza Ucrânia a acelerar compras de armas · operamundi.uol.com.br


