Retatrutida mostra resultados promissores contra apneia do sono

Destaques
- •Novo medicamento experimental da Eli Lilly, a retatrutida, demonstrou reduzir significativamente os eventos de apneia obstrutiva do sono em estudos recentes.
- •Pacientes com apneia moderada a grave apresentaram quedas expressivas no número de paradas respiratórias e perda de peso considerável, com potencial para dispensar o uso de CPAP.
- •A droga, ainda em fase experimental e sem aprovação regulatória, mostrou efeitos colaterais gastrointestinais e alterações na frequência cardíaca, sendo alertado sobre a venda clandestina.
Dois estudos publicados no The New England Journal of Medicine apresentaram resultados promissores para a retatrutida, um novo medicamento experimental da farmacêutica Eli Lilly, no tratamento da apneia obstrutiva do sono. A condição, que afeta mais de 400 milhões de pessoas globalmente, é marcada por interrupções repetidas da respiração durante o sono, associadas a sonolência diurna, hipertensão e problemas cardiovasculares.
A retatrutida age simultaneamente em três hormônios: GLP-1, GIP e glucagon, sendo chamada de agonista triplo. Nos estudos, 691 adultos com obesidade ou sobrepeso e apneia moderada a grave receberam injeções semanais do medicamento ou placebo por 80 semanas. Os participantes foram divididos em grupos com e sem diabetes tipo 2.
Redução de eventos respiratórios e perda de peso
Entre os voluntários sem diabetes, as doses de 9 mg e 12 mg de retatrutida levaram a uma redução de cerca de 34 e 32 paradas respiratórias por hora, respectivamente, comparado a 10 no grupo placebo. Em termos proporcionais, a queda foi de 57% e 53%, contra 11% do placebo. A perda de peso média foi de 22% e 21%, respectivamente, contra 5% no grupo controle.
Um dado relevante é que 52% dos pacientes tratados com 9 mg de retatrutida alcançaram remissão da apneia ou uma forma leve da doença, sem sonolência excessiva, um resultado significativamente superior aos 12,5% observados no grupo placebo. Isso sugere que o uso do aparelho CPAP (pressão positiva contínua nas vias aéreas) pode se tornar desnecessário para esses pacientes.
Nos participantes com diabetes tipo 2, os benefícios foram menores, mas ainda assim notáveis. Houve uma queda de aproximadamente 40% nos eventos respiratórios com as doses mais altas, contra 13% no placebo, e uma perda de peso de 18%, comparado a 6%.
Carga hipóxica e efeitos colaterais
A retatrutida também demonstrou uma redução de até 75% na carga hipóxica, um indicador do tempo e intensidade de queda de oxigênio durante o sono, que já foi associado a maior risco cardiovascular. Contudo, ainda não está claro se a redução desse indicador confere proteção cardíaca.
Os efeitos colaterais mais comuns foram gastrointestinais, como diarreia, náusea e prisão de ventre, geralmente de intensidade leve a moderada e concentrados na fase de ajuste da dose. Uma sensação de queimação ou formigamento na pele foi relatada por até 13% dos usuários. A frequência cardíaca aumentou em até 7 batimentos por minuto no pico, estabilizando-se posteriormente.
Status regulatório e alertas
É crucial ressaltar que a retatrutida é uma droga experimental e não possui aprovação ou registro em nenhum órgão regulador mundial, incluindo a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) no Brasil. O único medicamento aprovado pela Anvisa para apneia do sono é o Mounjaro, também da Eli Lilly, liberado para essa indicação em outubro de 2025 para adultos com obesidade.
A Anvisa tem emitido alertas sobre a venda clandestina de versões irregulares de tirzepatida e de produtos que alegam conter retatrutida, advertindo sobre os riscos à saúde associados ao uso de medicamentos não aprovados.



