Ondas de calor se tornam 'tempestades de calor' gigantescas e globais

Destaques
- •Fenômenos antes esporádicos agora cobrem quase 85% do globo e duram meses, exigindo novo conceito: 'tempestade de calor'.
- •Aumento de 30% no CO2 atmosférico desde os anos 60 correlaciona-se com a multiplicação e expansão desses eventos extremos.
- •Novos dados e rastreador online buscam dar visibilidade a esses eventos e seus impactos globais.
Ondas de calor, antes episódios isolados, evoluíram para eventos climáticos massivos e interligados, capazes de cobrir vastas áreas do planeta por meses. Pesquisadores da Reuters desenvolveram o conceito de "tempestade de calor" para descrever esses fenômenos de proporções gigantescas, que se tornaram significativamente mais frequentes e abrangentes nas últimas décadas.
Em 1960, a maior onda de calor atingia cerca de 6% do planeta por 46 dias. Atualmente, uma "tempestade de calor" pode percorrer quase 85% do globo por mais de um ano. A Reuters define uma onda de calor como cinco ou mais dias consecutivos de temperaturas anormalmente elevadas. Quando essas ondas cobrem pelo menos 1% do globo em seu auge, são classificadas como tempestades de calor.
Aumento exponencial de tempestades de calor
A análise de dados desde 1960 revelou uma transformação surpreendente. Na década de 1960, havia em média cerca de cinco tempestades de calor ativas por ano. Nesta década, esse número saltou para aproximadamente 102 eventos anuais. Esse aumento está diretamente ligado ao crescimento das emissões de gases de efeito estufa, com o dióxido de carbono na atmosfera aumentando mais de 30% desde os anos 1960.
O fenômeno El Niño também atuou como um acelerador, intensificando as tempestades de calor. Em contrapartida, as ondas e tempestades de frio diminuíram drasticamente, com a área total atingida por elas em um dia médio de inverno encolhendo quase 80% no mesmo período.
Impactos globais e catastróficos
As tempestades de calor provocam "uma grande ruptura na civilização global", segundo James Renwick, professor da Universidade Victoria de Wellington. O calor extremo é apontado como o maior responsável pelas mortes decorrentes das mudanças climáticas, podendo levar à fome, escassez de alimentos, mortes e conflitos por recursos.
Os textos citam diversos exemplos de catástrofes ligadas a essas tempestades: o calor mortal no verão europeu, com mais de 10 mil mortes adicionais em uma semana e temperaturas de 42,7°C em Bilbao; sangramentos nasais espontâneos em estudantes nas Filipinas devido a temperaturas de 38°C; incêndios florestais históricos na Louisiana, agravados pela seca; e a ruptura de barragens na Líbia após chuvas torrenciais intensificadas por um ciclone. A peregrinação do Hajj na Arábia Saudita registrou 51,8°C na Grande Mesquita de Meca, resultando em mais de 1.300 mortes de peregrinos.
Esses fenômenos também intensificam incêndios florestais em todo o mundo, afetam a saúde de mulheres grávidas e podem trazer benefícios limitados, como a adequação de latitudes mais setentrionais para agricultura, ao mesmo tempo que causam secas em outras regiões.
Novas definições e visibilidade para o problema
A falta de uma definição universal para "onda de calor" dificultava a análise de sua frequência global. O sistema desenvolvido pela Reuters, que utiliza um critério conservador de cinco dias consecutivos de temperaturas anormalmente elevadas e classifica eventos que cobrem 1% do globo como "tempestades de calor", oferece a precisão necessária para essa análise.
A Reuters também criou um rastreador on-line de tempestades de calor para dar visibilidade a esses eventos, que muitas vezes passam despercebidos. A ideia é que, ao nomear e rastrear esses fenômenos, as pessoas possam compreender melhor seus impactos e consequências. Atualmente, grandes tempestades de calor frequentemente se fundem, formando "cascatas de tempestades de calor" que podem durar meses ou até anos, com pelo menos uma tempestade assolando o planeta continuamente desde 2008.



