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UTIs do SUS têm menor disponibilidade de medicamentos e leitos que rede privada

22 de outubro de 2026
UTIs do SUS têm menor disponibilidade de medicamentos e leitos que rede privada

Destaques

  • •Pesquisa da AMIB revela que apenas 22,7% dos médicos consideram a disponibilidade de medicamentos adequada nas UTIs públicas.
  • •Redes particulares apresentam índices até quatro vezes melhores em 12 dos 13 aspectos avaliados.
  • •AMIB apresentará o diagnóstico a gestores públicos e privados para buscar melhorias nas unidades públicas.

Apenas 22,7% dos médicos consideram que as Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) do Sistema Único de Saúde (SUS) possuem disponibilidade totalmente adequada de medicamentos essenciais para pacientes. Na rede particular, esse índice sobe para 57,7%. Os dados são do levantamento “Inquérito Nacional sobre a Força de Trabalho Médica nas UTIs Brasileiras”, divulgado pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) com apoio do Conselho Federal de Medicina (CFM).

O estudo, que ouviu 2.338 participantes, também aponta que 16,1% dos médicos classificaram a oferta de medicamentos como inadequada ou totalmente inadequada na rede pública, contra 3,8% no setor privado. Em relação à suficiência de leitos, apenas 24,1% dos médicos avaliam positivamente as UTIs do SUS, enquanto na rede particular o índice é de 51,4%.

Desigualdade entre sistemas público e privado

As redes particulares foram consistentemente melhor avaliadas em 12 dos 13 aspectos analisados no inquérito. As notas negativas nas unidades públicas foram até quatro vezes maiores em comparação com as privadas. Essa disparidade se estende a diversos itens essenciais para o funcionamento das UTIs.

Mesmo em quesitos com nota máxima (5), o SUS apresenta desvantagem. Por exemplo, a suficiência de leitos foi avaliada com nota máxima por 51,4% dos médicos no setor privado e apenas 24,1% no público. A disponibilidade de protocolos de atendimento e conduta adequados foi citada por 40,2% no privado e 23,1% no SUS.

Aspectos avaliados e diferenças percentuais (Privado x SUS)

  • Suficiência de leitos: 51,4% vs 24,1%
  • Protocolos de atendimento e conduta: 40,2% vs 23,1%
  • Equipe multiprofissional especializada: 39,2% vs 23,0%
  • Protocolos de passagem de plantão: 27,8% vs 14,5%
  • Fluxos de gerenciamento de pacientes: 26,5% vs 11,1%
  • Enfermeiros especializados em terapia intensiva: 25,1% vs 16,9%
  • Interconsulta com outras especialidades: 36,3% vs 15,4%
  • Interação com equipes de outros setores: 30,7% vs 14,5%

Propostas de melhoria e impacto

Segundo Cristiano Franke, presidente da AMIB, a diferença na percepção entre os médicos dos setores público e privado reflete a capacidade de resposta das equipes no atendimento a pacientes críticos. Ele enfatiza que a redução dessa desigualdade estrutural deve ser prioridade na saúde pública brasileira.

A AMIB planeja apresentar o diagnóstico a gestores e autoridades de fiscalização, solicitando que as recomendações do inquérito sejam atendidas. "Não basta fazermos apenas o diagnóstico da diferença de condições entre as UTIs públicas e privadas brasileiras, é necessário traçar estratégias para agir e modificar esse cenário", afirma Franke. A entidade defende investimento em modernização das unidades públicas e acesso equitativo a tecnologias.

Eventuais mudanças teriam impacto sobre os 43.901 leitos de UTI no país, sendo 34.927 para adultos e 8.974 para pediatria e neonatologia.

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