Reino Unido discute renegociar termos do Brexit com a União Europeia

Destaques
- •Governo britânico abre discussão para revisar termos do Brexit, dez anos após referendo.
- •Propostas incluem flexibilização de controles comerciais e investimento em mobilidade juvenil.
- •Aproximação ocorre em meio a pressões de movimentos independentistas e antes de cúpula com Bruxelas.
Dez anos após o referendo que decidiu pela saída do Reino Unido da União Europeia (UE), o governo britânico iniciou uma nova discussão sobre os efeitos do Brexit e a possibilidade de reconstruir suas relações com o bloco europeu. O primeiro-ministro Andy Burnham reconheceu que a opinião pública mudou desde a votação de 2016 e defendeu uma revisão dos termos da separação, embora tenha descartado o retorno imediato da livre circulação de pessoas.
O debate ganha força às vésperas de uma cúpula entre Londres e Bruxelas, prevista para novembro, quando deverão ser concluídos acordos nas áreas de comércio, energia e mobilidade juvenil. A iniciativa representa mais um movimento de aproximação com os 27 países da UE, depois de uma década marcada por disputas comerciais, restrições migratórias e dificuldades de cooperação decorrentes da saída britânica.
Propostas de Reaproximação
Entre as propostas em negociação estão a eliminação de controles impostos pelo Brexit ao comércio de alimentos e produtos de origem animal, a aproximação dos sistemas de comércio de emissões de carbono e a criação de mecanismos para facilitar a circulação de jovens entre o Reino Unido e os países europeus.
Segundo o jornal britânico The Guardian, os governos dos 27 Estados-membros já receberam uma minuta dos entendimentos. Londres também estaria disposta a investir até 450 milhões de libras (R$ 3,31 bilhões) por ano na redução das mensalidades universitárias cobradas de estudantes europeus, desde que obtenha acesso ao programa industrial Made in Europe, voltado ao fortalecimento da produção no continente.
A possibilidade de uma reintegração econômica mais ampla, entretanto, esbarra nos compromissos eleitorais do Partido Trabalhista, que descartou o retorno ao mercado único, à união aduaneira e à livre circulação de pessoas durante a atual legislatura.
Questão Migratória e Opinião Pública
Um dos principais argumentos apresentados por Burnham para reabrir a discussão sobre o Brexit é a transformação do perfil da imigração britânica desde 2016. “Não propus o retorno da liberdade de circulação”, afirmou.
“Devemos ter uma discussão honesta com as pessoas sobre como a imigração mudou desde a votação do Brexit, porque a migração de curto prazo de pessoas que vinham da Europa e depois retornavam foi substituída por um estabelecimento de longo prazo, em números maiores, e essa foi a onda de Boris”, declarou Burnham, em referência ao ex-primeiro-ministro conservador Boris Johnson. A declaração coloca em discussão uma das principais promessas dos defensores do Brexit: a recuperação do controle britânico sobre suas fronteiras.
Para Burnham, as mudanças no sistema migratório precisam ser examinadas à luz dos resultados produzidos pela ruptura com o bloco europeu. Apesar de considerar que a população britânica passou a enxergar de outra maneira a participação na União Europeia, o primeiro-ministro afirmou que não pretende avançar com propostas que não tenham respaldo popular. “Não vou me antecipar à opinião pública. O público precisa ser o chefe quando se trata do que quer que aconteça com o Brexit”, afirmou.
Pressão de Movimentos Independentistas
A reaproximação com a União Europeia ocorre também sob pressão dos movimentos independentistas da Escócia, do País de Gales e da Irlanda do Norte. Em 14 de setembro, os primeiros-ministros John Swinney, Rhun ap Iorwerth e Michelle O’Neill, reunidos como líderes de seus respectivos partidos em Cardiff, assinaram um memorando conjunto exigindo que Londres reconheça o direito à autodeterminação de suas nações.
O documento critica os prejuízos econômicos provocados pelo Brexit e defende o retorno à União Europeia. “A Europa é nosso lar comum e acreditamos que o futuro de nossas nações pertence à União Europeia”, afirmaram. Os dirigentes também reivindicaram que o governo britânico facilite mudanças constitucionais que permitam às populações decidir seu futuro, incluindo a independência da Escócia e do País de Gales e a reunificação da Irlanda. O primeiro-ministro Andy Burnham, entretanto, rejeitou a realização de novos referendos, reafirmando seu compromisso com a unidade do Reino Unido.
Matérias originais
- Reino Unido discute reaproximação com União Europeia dez anos após Brexit · operamundi.uol.com.br



