Reino Unido endurece regras de imigração e exige até 30 anos para residência permanente

Destaques
- •Novas regras do Reino Unido exigem que a maioria dos migrantes espere 10 anos para residência permanente.
- •Trabalhadores da saúde e assistência social terão o prazo reduzido para 5 anos, enquanto ilegais podem esperar até 30 anos.
- •As mudanças visam reduzir a imigração após o Brexit e respondem a pressões políticas internas.
O Reino Unido anunciou nesta segunda-feira (2) um pacote abrangente de reformas em seu sistema de imigração, com o objetivo de endurecer as regras para a obtenção de residência permanente. Sob as novas diretrizes, a maioria dos migrantes precisará aguardar 10 anos ou mais para se estabelecer no país. A medida é a mais recente tentativa do governo de controlar o aumento no número de chegadas após a saída do país da União Europeia.
A ministra do Interior, Shabana Mahmood, explicou que a intenção é priorizar aqueles que mais contribuem para o país. "Quem mais contribui se estabelecerá mais rápido. Quem não seguir as regras terá o pedido negado ou terá que esperar mais tempo", afirmou. Anteriormente, o período padrão para solicitar a autorização de permanência por tempo indeterminado, que permite viver e trabalhar permanentemente no Reino Unido e ter acesso a alguns benefícios sociais, era de cinco anos.
Novas regras e prazos diferenciados
De acordo com as novas regras, a maioria das pessoas agora terá que esperar 10 anos antes de poder solicitar a residência permanente. No entanto, o governo fez concessões para alguns setores específicos. Trabalhadores do setor de saúde e assistência social, que antes precisavam esperar cinco anos, ainda poderão solicitar a permanência após esse período, desde que atendam a critérios como proficiência em inglês, ausência de antecedentes criminais e comprovação de pagamento de seguro social.
Pessoas com alta renda, que ganham mais de 125.000 libras (aproximadamente R$ 770 mil), ou que possuem determinados vistos, poderão se estabelecer em três anos. Em contrapartida, a punição mais severa foi reservada para aqueles que chegam ilegalmente, especialmente em pequenas embarcações atravessando o Canal da Mancha, que poderão ter que esperar até 30 anos para obter o status de residente permanente.
Motivações e reações políticas
As reformas surgem em resposta direta às demandas dos eleitores por uma redução da imigração, um tema que ganhou força com a saída do Reino Unido da União Europeia. O partido populista Reform UK, liderado por Nigel Farage, tem sido um dos principais impulsionadores da campanha por controles mais rígidos de migração, pressionando o governo a agir.
No entanto, os esforços do governo para endurecer as regras não foram isentos de críticas. Sindicatos e setores do Partido Trabalhista expressaram descontentamento, o que levou a ministra Shabana Mahmood a recuar na exigência de 10 anos para os trabalhadores do setor de saúde e assistência social, reduzindo o prazo para cinco anos. O governo argumenta que as mudanças são necessárias diante da expectativa de que cerca de 350 mil trabalhadores menos qualificados e seus dependentes, que chegaram ao país após o Brexit, se tornem elegíveis para a permanência nos próximos anos.


