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Copom: Mercado aposta em manutenção da Selic com alta do dólar e incerteza fiscal

02 de novembro de 2026
Copom: Mercado aposta em manutenção da Selic com alta do dólar e incerteza fiscal

Destaques

  • •Expectativas do mercado financeiro migraram de um possível corte de 0,25 ponto na Selic para a manutenção da taxa em 13,75% após o resultado eleitoral.
  • •Deputados petistas criticam o mercado financeiro e o Banco Central por "sabotagem" e "autoritarismo" em relação à taxa de juros.
  • •A definição da equipe econômica e sinalizações sobre a política fiscal são cruciais para acalmar os mercados e influenciar decisões futuras do Copom.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidirá a próxima taxa básica de juros, a Selic, nesta quarta-feira (4). Após o resultado do segundo turno das eleições presidenciais, as expectativas do mercado financeiro mudaram de um possível corte de 0,25 ponto percentual para a manutenção da taxa no patamar atual de 13,75% ao ano. A incerteza fiscal em relação ao novo governo e a desvalorização do real frente ao dólar são fatores determinantes para essa revisão.

Pressão política e críticas ao mercado

Aliados do governo eleito de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) elevaram o tom e iniciaram uma pressão conjunta contra o mercado financeiro e o Banco Central por uma redução da taxa básica de juros. Deputados como Lindbergh Farias (PT-RJ), Gleisi Hoffmann (PR) e Zeca Dirceu (PT-PR) criticaram a mudança nas projeções do mercado e acusaram o setor de "fazer política" e "sabotar a economia". Gleisi Hoffmann chegou a afirmar que o mercado financeiro tem o "DNA do autoritarismo".

As manifestações se alinham a discursos de outros membros do PT, como o ex-ministro Rui Costa e o economista André Lara Resende, que criticou a atual política monetária e propôs um novo arranjo fiscal e monetário. No entanto, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, negou que o governo estude adotar políticas como tabelamento de juros ou uso de reservas para segurar o câmbio.

Câmbio e inflação sobem com incertezas

A economista Tatiana Pinheiro, da FGV, destacou que o câmbio é um fator determinante na revisão das projeções de inflação. O real se desvalorizou para cerca de R$ 5,35 por dólar após as eleições, patamar significativamente acima do verificado na última reunião de juros, o que representa uma pressão inflacionária potencial. Além disso, as expectativas de inflação para 2026 e 2027 devem aumentar, segundo o relatório Focus, devido a fatores como a defasagem no preço dos combustíveis e os impactos da reforma tributária.

O cenário externo também pesa, com a expectativa de alta dos juros nos Estados Unidos impactando o fluxo de capitais para economias emergentes. A semana pós-eleição foi marcada por forte disparada do dólar e das taxas de juros futuros, com o Ibovespa sofrendo sua pior semana desde março de 2020.

Próximos passos e projeções

O Copom se reúne nesta semana para decidir a taxa Selic. A maioria dos analistas ouvidos pelo Estadão/Broadcast espera a manutenção da taxa em 13,75%, embora a mediana das estimativas ainda indique um corte. A expectativa de novas reduções de juros para 2027 também caiu.

O banco Inter revisou suas projeções, estimando que a Selic encerre 2026 em 13,50%, ante os 13,25% projetados anteriormente, prevendo uma pausa nos cortes até o fim de 2027. Essa cautela acompanha uma revisão expressiva da projeção de inflação para 2027, de 3,9% para 5%. Novos cortes dependem da implementação de medidas fiscais que melhorem o resultado das contas públicas.

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