Reforma Tributária: 55% de franqueadores temem carga tributária maior

Destaques
- •A reforma tributária, com implementação gradual a partir de 2026, unificará impostos como ICMS e ISS em novos tributos, com alíquota de referência projetada em 27%.
- •55% dos franqueadores brasileiros apontam a carga tributária como uma das maiores preocupações para os próximos 12 meses, segundo ABF e Sebrae.
- •Empresas que não se prepararem com foco em margem real, proposta de valor e diferenciação podem enfrentar dificuldades com o aumento da tributação.
A reforma tributária, com implementação gradual a partir de 2026, promete unificar impostos como ICMS, ISS, PIS e Cofins em dois novos tributos: o Imposto sobre Operações com Bens e Serviços (IBS), gerido por Estados e municípios, e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), de competência federal. A KPMG projeta que a alíquota de referência nesse novo modelo pode chegar a 27%. Essa mudança representa um desafio significativo, especialmente para empresas de serviços, que hoje operam com cargas tributárias menores.
Preocupação com a carga tributária
A Associação Brasileira de Franchising (ABF) e o Sebrae ouviram franqueadores de todo o Brasil e constataram que 55% deles apontam a carga tributária como uma das maiores preocupações para os próximos 12 meses. Embora a preocupação seja legítima, a abordagem de tratar o imposto como um inimigo externo pode ser equivocada, pois o sistema tributário não desaparecerá.
O Banco Mundial calculou que os impostos consomem, em média, 39,1% do faturamento de uma empresa brasileira, enquanto a média dos países da OCDE fica em 34,3%. Isso indica que o Brasil tributa mais do que o clube das economias mais desenvolvidas.
Preparação para o novo cenário
Especialistas apontam que a resposta à carga tributária elevada não é apenas lamentar o sistema, mas sim construir um modelo de negócio que não dependa de margem fina para sobreviver. A gestão deve focar em conhecer a margem real por produto e por cliente, eliminar custos desnecessários, construir uma proposta de valor diferenciada e revisar contratos e precificação antes da entrada em vigor da nova alíquota.
O autor do texto, com base em estudos como os de Jim Collins, autor de “Feitas para durar”, destaca que empresas que sobrevivem a crises estruturais sabem o que não vão fazer, não competem em tudo e escolhem onde querem ser insubstituíveis. Competir apenas por preço em um mercado com alta tributação é um caminho de desgaste.
O que esperar a partir de 2027
A data de 2027, quando o novo sistema tributário estará em plena implementação, não deve ser vista como uma ameaça, mas como um marco. Empresas que entrarem nesse novo sistema com clareza sobre suas margens, uma proposta de valor sólida e diferenciação no mercado terão mais chances de atravessar a transição, mesmo que com pressão. Aquelas que competirem por preço e não souberem o que as diferencia descobrirão que o imposto foi apenas um espelho de fragilidades internas.
A preparação para a reforma tributária exige movimentos estratégicos que não dependem do governo, como o treinamento da equipe para vender valor, não desconto, e a criação de diferenciais que justifiquem o preço, como a construção de comunidade e métodos únicos, exemplificado no caso de academias.



