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Redução da jornada de trabalho: como o fim da escala 6x1 impacta custos

28 de outubro de 2026
Redução da jornada de trabalho: como o fim da escala 6x1 impacta custos

Destaques

  • •A partir de dezembro de 2026, a jornada semanal de trabalho no Brasil será reduzida gradualmente, impactando os custos com folha de pagamento para empresas.
  • •Especialistas estimam um aumento de até 10% no custo por hora trabalhada, com impacto direto em salários, encargos e horas extras.
  • •Pequenas empresas precisam recalcular custos e avaliar alternativas como reorganização de escalas ou contratação de novos funcionários para se adaptar à nova regra.

A partir de 16 de dezembro de 2026, o Brasil inicia a transição para a redução da jornada semanal de trabalho, extinguindo a escala 6x1 e diminuindo o limite de 44 para 40 horas semanais em duas etapas. A medida, que visa beneficiar trabalhadores com mais tempo de descanso, gera preocupações entre pequenos empresários sobre o aumento dos gastos com folha de pagamento, incluindo salários, encargos trabalhistas e tributários. Especialistas preveem uma elevação de custos na ordem de 10% no custo por hora trabalhada, embora o impacto total possa variar conforme a empresa.

Entenda a redução da jornada

A mudança ocorrerá em duas fases: a partir de 16 de dezembro de 2026, a jornada semanal cairá para 42 horas, e em 16 de dezembro de 2027, atingirá o limite de 40 horas. A legislação prevê que a redução salarial não seja aplicada, o que significa que o mesmo salário passará a remunerar menos horas trabalhadas. O custo efetivo por hora trabalhada tende a aumentar, especialmente para empresas que dependem de horas extras ou precisam contratar mais pessoal para cobrir a carga horária reduzida.

Para calcular o impacto, é fundamental entender o conceito de "divisor mensal", que transforma o salário mensal em salário-hora. Para jornadas de 44 horas semanais, o divisor é 220; para 42 horas, 210; e para 40 horas, 200. Esse divisor é a base para calcular horas extras, adicional noturno e descontos por atrasos.

Impacto nos custos e encargos

O custo total de um empregado vai além do salário base. Inclui encargos como INSS patronal (20%), RAT/FAP (até 2%), contribuições a terceiros (5,8%) e FGTS (8%), totalizando cerca de 35,8% para empresas fora do Simples Nacional. Adicionalmente, há provisões para 13º salário e férias com adicional de um terço. Com um salário de R$ 2.500, o custo total mensal pode chegar a R$ 4.055,14, com o custo por hora aumentando em 10% com a redução da jornada.

Para empresas optantes pelo Simples Nacional (Anexos I a III), onde a contribuição previdenciária já está inclusa no DAS, o custo total mensal com o mesmo salário seria de aproximadamente R$ 3.225. O custo por hora passaria de R$ 14,66 (44h) para R$ 15,36 (42h) e R$ 16,13 (40h).

Horas extras e alternativas para as empresas

O custo com horas extras se torna mais elevado com a jornada reduzida, pois o valor por hora aumenta e é acrescido de um adicional de 50%. Para compensar 4 horas semanais reduzidas, um funcionário com salário de R$ 2.500 precisaria fazer cerca de 17,3 horas extras mensais. Em empresas fora do Simples Nacional, isso pode gerar um custo adicional mensal de R$ 719 por empregado, representando um aumento de aproximadamente 17,7% no custo total.

Especialistas recomendam que as horas extras sejam vistas como solução pontual, não permanente, devido ao alto custo e riscos trabalhistas. Sugestões incluem a reorganização de escalas, aproveitando horários de menor movimento, ou a contratação de novos funcionários, especialmente se a soma das horas faltantes na equipe justificar uma nova contratação. A análise detalhada dos postos de trabalho e a comparação dos custos de cada alternativa são essenciais para uma estimativa realista.

Para pequenas empresas, é crucial acompanhar indicadores como o peso da folha no faturamento, a margem de contribuição e o volume de horas extras. Essas métricas ajudarão a determinar quanto do custo adicional poderá ser absorvido e quais estratégias serão necessárias para compensar o aumento, seja por meio de receitas maiores ou otimização de recursos.

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