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Raízen propõe aumento de capital de R$ 3,5 bilhões para reestruturação

22 de outubro de 2026
Raízen propõe aumento de capital de R$ 3,5 bilhões para reestruturação

Destaques

  • •Raízen anuncia plano de captação de R$ 3,5 bilhões para reestruturação financeira.
  • •Movimento visa viabilizar recuperação extrajudicial e pode diluir participação da Cosan.
  • •Aprovação societária e definição de condições finais da emissão são os próximos passos.

A Raízen, empresa de energia, anunciou um plano para levantar pelo menos R$ 3,5 bilhões por meio da emissão de novas ações. O objetivo é viabilizar a reestruturação financeira da companhia, que negocia uma dívida de aproximadamente R$ 65 bilhões com credores. O movimento faz parte do plano de recuperação extrajudicial da empresa.

A operação prevê a emissão de, no mínimo, 14 bilhões de ações ordinárias e preferenciais, a um preço de R$ 0,25 por papel. O valor final da captação poderá ser maior, dependendo da participação da Aguassanta Participações, family office de Rubens Ometto, da capitalização de créditos e do exercício do direito de preferência pelos acionistas. Acionistas com papéis ao final do pregão de 5 de novembro terão direito de preferência na subscrição.

Diluição da Cosan e divergência com a Shell

A capitalização de capital deve resultar na diluição da participação da Cosan, atualmente com 44% do capital social da Raízen. A Shell, coproprietária da Raízen com a Cosan, propôs um aporte de R$ 3,5 bilhões, esperando que a sócia igualasse o valor. No entanto, a Cosan não se dispôs a igualar o aporte, citando sua própria situação financeira e estratégia de desalavancagem.

A divergência entre as controladoras gerou um impasse no processo de recuperação extrajudicial. Em momentos de crise, credores pressionaram por uma capitalização robusta, chegando a sugerir aportes de até R$ 25 bilhões, mas não houve consenso sobre a capacidade e o interesse da Cosan em participar de uma operação dessa magnitude.

Cosan planeja saída após reestruturação

Diante das divergências e do risco de perder espaço na Raízen, a Cosan começou a planejar sua saída do capital da companhia após a reestruturação. O CEO da Cosan, Marcelo Martins, indicou que a holding buscará "liquidez em algum momento" para sua participação minoritária na Raízen, considerando a perspectiva de uma "participação reduzida" após a dívida ser reestruturada.

A proposta de aumento de capital será submetida à deliberação do conselho de administração da Raízen em 5 de novembro, após assembleias gerais extraordinárias e especiais de acionistas preferencialistas em 30 de outubro. O aumento de capital depende de aprovações societárias e da definição das condições finais da emissão, com prazo previsto no plano de recuperação extrajudicial para cumprimento das condições suspensivas até 31 de março de 2027.

No pregão de quarta-feira (21), as ações da Raízen recuavam 2,38%, a R$ 0,41. No ano, os papéis acumulam queda de 48,75%, com o valor de mercado da companhia em R$ 558 milhões.

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