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Raízen aprova divisão e busca investidor para área de combustíveis

30 de outubro de 2026
Raízen aprova divisão e busca investidor para área de combustíveis

Destaques

  • •Acionistas da Raízen aprovaram a divisão da empresa em duas companhias e a busca por um investidor para o negócio de distribuição de combustíveis.
  • •O plano de recuperação extrajudicial, o maior da história do Brasil com R$ 65 bilhões em dívidas, prevê um aumento de capital de até R$ 39,8 bilhões.
  • •Os próximos passos incluem a aprovação do aumento de capital em 6 de novembro e o exercício do direito de preferência pelos acionistas entre 9 de novembro e 8 de dezembro.

Os acionistas da Raízen aprovaram nesta sexta-feira (30) medidas societárias essenciais para a execução do plano de recuperação extrajudicial da companhia, que envolve a divisão do grupo em duas empresas listadas em bolsa e a busca por um investidor para o negócio de distribuição de combustíveis. A empresa enfrenta uma dívida de cerca de R$ 65 bilhões, configurando a maior recuperação extrajudicial da história do Brasil, decorrente de apostas arriscadas, safras ruins e baixos preços de commodities.

As decisões aprovadas incluem mudanças estatutárias, alterações no capital social e a separação dos negócios de energia e combustíveis. O plano prevê um aumento de capital de até R$ 39,8 bilhões. A Shell poderá aportar até R$ 3,5 bilhões, e a Aguassanta, holding de Rubens Ometto, até R$ 500 milhões, caso decida participar. A operação também contempla a conversão de parte das dívidas em participação na empresa e a possibilidade de outros acionistas comprarem novas ações para manter sua participação.

Raízen Energia e Raízen S.A.: Uma Nova Estrutura

A divisão da Raízen resultará em duas companhias abertas e independentes. A Raízen Energia será responsável pela produção e comercialização de etanol, açúcar e bioenergia. Já a Raízen S.A. concentrará as atividades de distribuição de combustíveis e lubrificantes da marca Shell. Essa separação ocorrerá após o cumprimento das condições do plano e dos prazos legais. Para viabilizar a operação, foi aprovada a redução do capital social da Raízen S.A. em até R$ 35 bilhões, por meio da entrega de títulos emitidos pela Raízen Energia aos acionistas.

A companhia também informou que iniciará os preparativos para avaliar a possibilidade de receber investimentos no negócio de distribuição de combustíveis. Uma das alternativas consideradas é a oferta pública secundária, onde acionistas vendem ações já existentes a outros investidores. O CEO da Raízen S.A., Nelson Gomes, destacou que as decisões aprovadas trazem previsibilidade à reorganização e permitem a continuidade do plano de transformação da companhia.

Novo Comando e Conselho de Administração

Foram eleitos os futuros conselhos de administração das duas empresas, com os credores detendo a maioria dos assentos. Para presidir o conselho da empresa de distribuição de combustíveis e lubrificantes, foi indicado Samuel Aguirre. Na empresa de etanol, açúcar e bioenergia, a indicação é Julio Cesar de Toledo Piza Neto. A liderança dos negócios de distribuição de combustíveis ficará a cargo de Lorival Nogueira Luz Jr., enquanto Geovane Dilkin Consul foi indicado para comandar a operação de etanol, açúcar e bioenergia. Ambos já integram a atual administração.

A Shell terá dois representantes em cada conselho. A participação de Rubens Ometto, fundador da Cosan (antiga controladora), na presidência do conselho da distribuidora depende de um aporte de R$ 500 milhões pela Aguassanta. Caso o investimento não se concretize, a cadeira será ocupada por Roland Alexander Ilube, indicado pela Shell. Os novos conselheiros terão mandato de três anos, contado da homologação do aumento de capital.

Próximos Passos e Prazos

O aumento de capital, que reúne a conversão de dívidas em ações, aportes previstos e a participação de acionistas pelo direito de preferência, será submetido à aprovação do Conselho de Administração em reunião prevista para 6 de novembro. Os acionistas terão o período de 9 de novembro a 8 de dezembro para exercer o direito de preferência na compra de novas ações.

A emissão de ações ordinárias e preferenciais classe B será a R$ 0,25 por papel, e de units (certificados que reúnem ações) a R$ 0,50. As atuais ações preferenciais passarão a ser denominadas classe A. A administração atual das empresas permanecerá inalterada até que as condições necessárias para a conclusão das mudanças sejam cumpridas.

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