Raízen aprova cisão e plano de recuperação com dívida de R$ 65 bilhões

Destaques
- •Acionistas da Raízen aprovam a separação dos negócios de açúcar, etanol e bioenergia da distribuição de combustíveis, criando duas empresas de capital aberto.
- •O plano de recuperação extrajudicial, o maior do Brasil, com R$ 65 bilhões em dívidas, foi aprovado, convertendo parte do passivo em participação acionária.
- •A conclusão da operação está prevista para a segunda quinzena de dezembro, com as novas empresas iniciando suas atividades em meados de janeiro de 2027.
Os acionistas da Raízen aprovaram nesta sexta-feira (30) a segregação de seus negócios de açúcar, etanol e bioenergia da unidade de distribuição de combustíveis. A operação resultará na criação de duas companhias abertas e independentes, listadas em bolsa. A Raízen Energia concentrará a produção e comercialização de etanol, açúcar e bioenergia, enquanto a Raízen S.A. ficará com as operações de distribuição de combustíveis e lubrificantes da marca Shell.
A aprovação também inclui a implementação do plano de recuperação extrajudicial da empresa, que busca solucionar um passivo de cerca de R$ 65 bilhões, o maior da história do Brasil. O plano envolve um aumento de capital planejado entre R$ 3,5 bilhões e R$ 39,8 bilhões. A conclusão da recuperação extrajudicial está prevista para a segunda quinzena de dezembro, com as duas novas empresas iniciando suas operações em meados de janeiro de 2027.
Reestruturação e Nova Composição Acionária
A recuperação extrajudicial, que começou em março, chega ao fim com um acordo com os credores, que passarão a deter cerca de 80% de participação na empresa de energia. Antes do processo, Shell e Cosan detinham 44% cada, com 12% no mercado. Com o acordo, a Shell terá entre 13% e 15%, tornando-se a maior acionista individual, e se comprometeu a integralizar R$ 3,5 bilhões de capital.
O veículo de Rubens Ometto, Aguassanta Investimentos, ficará com menos de 5%, mas Ometto tem a opção de integralizar até R$ 500 milhões até o fim de novembro. Com as novas capitalizações e a transformação de cerca de R$ 30 bilhões da dívida em equity (participação acionária), o valor de mercado da empresa deve atingir um novo patamar. Não haverá bloco de controle nem acordo de acionistas, aproximando a empresa do modelo de corporation.
Mudanças na Liderança e Operações
Com a reestruturação, Rubens Ometto deixa a liderança da companhia. Samuel Aguirre, diretor da FTI Consulting, será o presidente do conselho da Raízen Combustíveis, e Julio Piza será o chairman da Raízen Energia. Lorival Luz, atual CFO, assumirá como CEO da Raízen Combustíveis, e Geovane Consul, vice-presidente de etanol, açúcar e bioenergia, será o presidente-executivo da Raízen Energia.
A dívida de R$ 65 bilhões é composta por 45% (cerca de R$ 30 bilhões) provenientes dos credores que agora integram a companhia. Os outros 55% (R$ 35 bilhões) já foram renegociados com vencimento de até oito anos. Adicionalmente, a Raízen realizou um pagamento de R$ 2,5 bilhões à União referente a um acordo tributário de R$ 22,5 bilhões. O plano é que a empresa tenha um caixa de R$ 18,1 bilhões em março.
Impacto no Mercado e Próximos Passos
As ações da Raízen operaram em alta durante o pregão de sexta-feira, fechando com valorização de 10,7%, a R$ 0,31, impulsionadas pelas notícias do acordo tributário e da recuperação extrajudicial. No acumulado de 2026, os papéis (RAIZ4) registram queda de 61,2% na B3, com desvalorização de 67% em 12 meses. O valor de mercado atual da Raízen é de R$ 421,7 milhões.



