PT aciona Justiça Eleitoral contra PM de SP por vídeo de presos com camisetas de Lula

Destaques
- •Partido dos Trabalhadores alega que policiais militares obrigaram presos a vestir camisetas de apoio a Lula para criar vídeo falso.
- •Senador eleito Guilherme Derrite publicou vídeo com detidos por tráfico usando as camisetas, defendendo leis mais duras.
- •Justiça Eleitoral e Polícia Federal são acionadas para investigar fraude eleitoral e abusos.
O Partido dos Trabalhadores (PT) acionou a Procuradoria Geral Eleitoral e pediu à Polícia Federal a abertura de inquérito para investigar um caso envolvendo a Polícia Militar de São Paulo. A ação ocorre após o senador eleito Guilherme Derrite (PP-SP) publicar um vídeo nas redes sociais em que três homens presos, um deles menor de idade, aparecem vestindo camisetas de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os homens foram detidos em Piracicaba, interior de São Paulo, sob suspeita de tráfico de drogas.
No vídeo divulgado por Derrite, os detidos aparecem algemados e com as camisetas idênticas. O senador eleito, ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo, declarou em seu perfil no X (antigo Twitter) que "Crime não pode ser relativizado. Nós seguimos defendendo leis mais duras, punição de verdade e redução da maioridade penal já!".
Acusação de fraude e coerção
A campanha do PT, em nota ao Poder360, afirmou que a mãe do adolescente detido relatou ter visto os próprios policiais militares obrigando os três homens a vestirem as camisetas após já estarem rendidos. Segundo o partido, o objetivo da suposta fraude seria "produzir um vídeo falso para inflamar as redes sociais e prejudicar a campanha do PT às vésperas do 2º turno".
Em entrevista ao site TV TodoDia, de Campinas e Piracicaba, a mãe do adolescente negou que seu filho e os outros detidos estivessem com as camisetas no momento da abordagem. Ela relatou que os policiais colocaram as três blusas iguais nos homens e que, ao questionar um policial, ouviu que eles já estavam com as peças. A mãe também relatou agressões contra seu filho e que policiais entraram em sua residência durante a abordagem.
Um dos outros dois suspeitos presos também concedeu entrevista ao TV TodoDia, afirmando que os policiais arrancaram suas blusas e colocaram as camisetas do PT, chegando a queimar sua blusa nova.
Intimidação a apoiadoras do PT
A deputada estadual reeleita Bebel (PT) informou à coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, que na mesma data e comunidade, policiais militares teriam intimidado e agredido mulheres que distribuíam material de campanha do PT, obrigando-as a entregar as camisetas de apoio a Lula que vestiam. Segundo Bebel, um vídeo recebido por ela mostra duas mulheres confirmando as agressões e intimidações para que se desfizessem das peças.
A deputada afirmou que acionará a Ouvidoria da Polícia Militar para cobrar apuração e responsabilização dos envolvidos.
Posicionamento oficial e próximos passos
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) declarou à Folha de S.Paulo que não "compactua com desvios de condutas e punir com rigor casos comprovados". A pasta informou não ter recebido registros dos fatos relatados na comunidade e orientou que "vítimas podem formalizar em qualquer delegacia ou pela Delegacia Digital, além da Corregedoria da Polícia Militar, para que os fatos sejam devidamente apurados". A SSP-SP não comentou a acusação de que os agentes obrigaram os suspeitos a usar a camiseta do PT.
Em nota, Guilherme Derrite afirmou que o objetivo de sua publicação foi chamar a atenção para o aliciamento de jovens pelo tráfico de drogas e reforçar a preocupação com o envolvimento de menores em crimes graves, defendendo a redução da maioridade penal. Ele destacou que a publicação não fez menção às camisetas usadas pelos detidos e que as alegações posteriores devem ser apuradas pelos órgãos competentes.
Matérias originais
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