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Produção de petróleo no Amapá pode impulsionar garimpo histórico de ouro

04 de novembro de 2026
Produção de petróleo no Amapá pode impulsionar garimpo histórico de ouro

Destaques

  • •A exploração de petróleo na costa do Amapá promete revitalizar o garimpo do Lourenço, o mais antigo do Brasil, com expectativa de redução de custos e atração de mão de obra qualificada.
  • •A chegada de empresas da cadeia do petróleo pode gerar receitas municipais para melhorias na infraestrutura do distrito garimpeiro, mas também levanta preocupações sobre o aumento da atividade ilegal.
  • •O governo do Amapá busca organizar a mineração artesanal e atrair grandes projetos, enquanto a Petrobras avalia a construção de um porto-ilha para apoiar suas operações em alto-mar.

A produção de petróleo na costa do Amapá, prevista para iniciar em breve pela Petrobras, tem o potencial de fortalecer o histórico Garimpo do Lourenço, em Calçoene (AP). O garimpo, explorado desde 1890 e considerado o mais antigo do Brasil em atividade, é a principal fonte de renda do município de 12 mil habitantes. A expectativa é que a presença de empresas ligadas à cadeia do petróleo reduza custos de maquinário, atraia mão de obra qualificada e gere receitas municipais que podem ser revertidas em melhorias na infraestrutura do distrito garimpeiro.

Oportunidades e Desafios para o Garimpo do Lourenço

Garimpeiros e pesquisadores acreditam que os recursos provenientes da indústria do petróleo podem ajudar a ordenar a atividade de mineração e solucionar problemas ambientais. No entanto, há o receio de que a nova infraestrutura possa intensificar a atuação ilegal de garimpo nas áreas adjacentes. Francisco Nogueira da Silva, conhecido como Chico Nogueira, um dos principais garimpeiros da região, expressou otimismo, afirmando que a Petrobras contribuirá para que o Amapá se torne um dos estados mais ricos do país e trará benefícios para as comunidades locais.

O prefeito de Calçoene, Toinho Garimpeiro, defende a "mineração responsável" e tem recebido equipes de logística do setor de petróleo para apresentar o potencial do município. Técnicos do governo do Amapá e da Transpetro apontam Calçoene como um local estratégico devido à sua saída direta para o mar, calado profundo e menos restrições ambientais e territoriais em comparação com Oiapoque (AP). A cidade está a cerca de 175 quilômetros dos pontos de perfuração de petróleo.

Infraestrutura e Histórico de Conflitos Ambientais

A logística para a exploração de petróleo na região é facilitada pela rodovia BR-156, que liga Macapá a Calçoene, em grande parte asfaltada, diferentemente do trecho até Oiapoque, cujas obras se arrastam há décadas. O Garimpo do Lourenço é regularizado e gerido pela Cooperativa de Mineração dos Garimpeiros do Lourenço (Coogal), que herdou a licença de exploração após a saída da Novo Astro, de Eike Batista, em 1995. A cooperativa é responsável pela recuperação de passivos ambientais, um dos principais desafios da área.

Apesar de legalizado, o garimpo enfrenta atritos com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Em 2017, o local chegou a ser fechado por descumprimento de normas ambientais, resultando em um estado de emergência em Calçoene. Uma sentença de dezembro de 2025 fixou indenização de R$ 106 milhões por crimes ambientais cometidos entre 2010 e 2017, com os garimpeiros recorrendo da decisão. O Ibama registrou supressão vegetal em 325 hectares da área da Coogal nos últimos quatro anos e emitiu autos de infração por atividades em desacordo com a licença ambiental e uso irregular de mercúrio.

Organização da Mineração e Projetos Futuros

O presidente da Coogal, Orleni Ribeiro, o Ceará, espera que os recursos do petróleo tragam melhorias para o Lourenço, mas ressalta a necessidade de uma gestão adequada para que os benefícios cheguem à comunidade. O garimpo, que emprega cerca de 700 cooperados e movimenta uma população flutuante de 3 mil a 7 mil pessoas, é objeto de pesquisas acadêmicas sobre sustentabilidade. O professor Marcelo José de Oliveira defende políticas públicas para melhorar a capacidade extrativa e auxiliar na recuperação ambiental.

O governo do Amapá criou o Distrito Mineiro de Lourenço como projeto piloto para garimpos tradicionais, buscando organizar o planejamento e desburocratizar a relação com órgãos públicos. Paralelamente, o estado incentiva a retomada de grandes projetos de mineração em Serra do Navio e Pedra Branca do Amapari. A Amapá Minerals, por exemplo, reativou a operação de exploração de ouro em Pedra Branca do Amapari e se tornou a maior empregadora do Amapá, com cerca de 1.200 empregos gerados em 2025.

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