Presidente do Tribunal Supremo da Bolívia foge do país após investigação por narcotráfico

Destaques
- •Romer Saucedo, presidente do Tribunal Supremo de Justiça da Bolívia, anunciou sua fuga do país em 4 de novembro de 2026.
- •Saucedo é investigado por suposta ligação com o narcotráfico, com um mandado de prisão expedido em 3 de novembro.
- •O magistrado alega ser vítima de perseguição política e promete denunciar a situação internacionalmente.
O presidente do Tribunal Supremo de Justiça da Bolívia, Romer Saucedo, anunciou na quarta-feira (4.nov.2026) que fugiu do país. Em uma publicação em seu perfil na rede social X, Saucedo declarou ter tomado a "mais dura decisão da sua vida" e que sua utilidade fora da Bolívia seria maior do que "estando em uma prisão ou morto". Seu paradeiro atual não foi divulgado.
Saucedo, de 38 anos, é alvo de uma investigação por suposta ligação com o narcotráfico. De acordo com o jornal boliviano El Deber, um mandado de prisão contra ele foi expedido em 3 de novembro. Promotores afirmaram que existem indícios suficientes do envolvimento do magistrado, citando risco de fuga e obstrução de justiça como motivos para a expedição da ordem judicial.
Investigação e mandado de prisão
Além de Romer Saucedo, um mandado de prisão também foi emitido contra sua irmã, Ana Gabriela. A investigação aponta para indícios de envolvimento do magistrado com atividades ilícitas, o que levou à decisão de sua prisão preventiva.
Os promotores responsáveis pela investigação alegam que há evidências suficientes para sustentar as acusações contra Saucedo. O risco de fuga e a possibilidade de obstrução da justiça foram fatores determinantes para a solicitação do mandado de prisão.
Alegações de perseguição política
Em sua declaração no X, Romer Saucedo classificou as acusações como "narrativas baseadas em mentiras" e denunciou uma perseguição política. "Contarei ao mundo que no meu país é pecado questionar o poder político e que se assassinam magistrados com total impunidade e cumplicidade das esferas do Poder", afirmou.
Saucedo fez referência ao caso do juiz Víctor Hugo Claure, que foi morto a tiros em 30 de abril de 2026. O caso de Claure ainda está sob investigação. O presidente do Tribunal Supremo sugere que sua situação está ligada a uma repressão a vozes dissonantes no sistema judicial boliviano.
Futuro e retorno ao país
O magistrado declarou que não renunciará ao seu cargo e expressou a intenção de retornar à Bolívia. "Retornarei quando as condições tiverem mudado, quando a minha liberdade e a minha vida deixarem de estar em perigo, e não só a minha, mas a da minha mulher e dos meus filhos", disse Saucedo, indicando que sua família também estaria sob risco.
A fuga de Romer Saucedo representa um escândalo para o sistema judiciário boliviano e levanta sérias questões sobre a independência judicial e a perseguição política no país. A comunidade internacional deverá acompanhar os desdobramentos desta crise institucional.
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