Coreia do Sul planeja expandir operações navais perto do Irã, gerando protestos

Destaques
- •Governo sul-coreano anuncia planos para expandir operações navais na região de Omã, próximo ao Estreito de Ormuz.
- •Medida, que inclui envio de equipamentos de desminagem e aeronaves de patrulha marítima, é vista por ativistas como participação na guerra contra o Irã.
- •Assembleia Nacional analisará o texto na próxima semana, enquanto manifestantes acusam o presidente de mentir e violar a Constituição pacifista.
Representantes de diversos setores sociais se mobilizaram em um ato em frente à casa presidencial da Coreia do Sul nesta sexta-feira (06/11) após o governo sugerir uma possível adesão do país na guerra promovida pelos Estados Unidos contra o Irã. No dia anterior, o Ministério da Defesa nacional anunciou planos que visam a expansão das operações da unidade naval Cheonghae, atualmente destacada no Golfo do Áden, na Somália, até as águas ao sul de Omã, próximo ao Estreito de Ormuz. A medida prevê o envio de equipamentos de desminagem e aeronaves de patrulha marítima.
Expansão naval e alegações de guerra
A expectativa é de que o texto sobre a expansão das operações navais seja enviado e analisado pela Assembleia Nacional na próxima semana. Yoon Ji Young, pesquisadora do centro Nanum Munhwa, classificou a medida como um “claro ato de participação na guerra” contra o Irã, afirmando que o governo usa o combate à pirataria como pretexto. "Isso é apenas uma desculpa", declarou.
Yoon Ji Young questionou a necessidade de capacidades militares como aeronaves de patrulha marítima, capazes de detectar e atacar submarinos, e equipamentos de desminagem para combater a pirataria. Ela destacou que os Estados Unidos estão tentando remover minas plantadas pelo Irã para neutralizar o controle iraniano sobre Ormuz, sugerindo que a Coreia do Sul estaria auxiliando nessa estratégia.
Pressão dos EUA e protestos anteriores
Em setembro passado, veículos sul-coreanos noticiaram que o governo estava articulando um possível envio de forças navais diretamente para Ormuz, sob pressão dos Estados Unidos. Na ocasião, a informação não foi confirmada nem desmentida pelo Executivo, o que gerou protestos e levou a um recuo temporário do presidente. Atualmente, os manifestantes descrevem o chefe de Estado como “mentiroso”.
"O primeiro passo para impedir esse destacamento e interromper essa guerra deve começar com a eliminação de todas essas mentiras e confusões feitas pelo presidente", disse o ativista Kim Jong Hwan, do instituto Solidariedade aos Trabalhadores. Ele acredita que a ação visa encobrir o real deslocamento de tropas para a área de Ormuz.
Violação constitucional e antecedentes
O pastor Choi Heon Guk, da Igreja Paz da Vida, citou o artigo 5 da Constituição sul-coreana, que assegura o princípio pacifista, argumentando que o aumento de força militar sem justificativa configura uma violação constitucional. "Não podemos deixar de condenar essa afronta anti-vida e inconstitucional que busca sacrificar a vida de nossos jovens em prol da guerra de agressão promovida pelos Estados Unidos, cedendo a essa pressão contínua", declarou.
A pressão norte-americana sobre a Coreia do Sul aumentou em agosto, quando o presidente Donald Trump expressou frustração por o homólogo sul-coreano ter se recusado a ajudar o seu país a desbloquear o Estreito de Ormuz. Como resposta, Trump reduziu os exercícios militares conjuntos com Seul e ameaçou uma aproximação com o líder norte-coreano Kim Jong Un.
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- Manifestantes acusam presidente da Coreia do Sul de mentir sobre envio de tropas ao Irã · operamundi.uol.com.br



