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Presidente do Paraguai renuncia em meio a crise bancária e processo de impeachment

06 de novembro de 2026
Presidente do Paraguai renuncia em meio a crise bancária e processo de impeachment

Destaques

  • •Santiago Peña renunciou à presidência do Paraguai após crise no Ueno Bank e aprovação de impeachment pela Câmara.
  • •A renúncia foi suspensa pelo Congresso, que não atingiu quórum para votação, mantendo Peña no cargo interinamente.
  • •O Brasil acompanha a crise com cautela, temendo instabilidade e possíveis reflexos na fronteira e em Itaipu.

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou sua renúncia ao cargo na quinta-feira (5.nov.2026), em meio a uma grave crise financeira e política desencadeada pelo colapso do Ueno Bank, o maior banco digital do país. A decisão ocorreu na iminência de um processo de impeachment, que foi aprovado pela Câmara dos Deputados pouco depois de seu pedido de saída. No entanto, o Congresso paraguaio suspendeu a sessão que votaria a aceitação da renúncia por falta de quórum, manobra que mantém Peña como presidente interinamente.

A crise no Ueno Bank, que atende cerca de 3 milhões de paraguaios (metade da população), começou após a instituição conceder empréstimos de alto risco a empresas ligadas ao seu grupo controlador, comprometendo sua saúde financeira. O Banco Central do Paraguai (BCP) interveio na instituição, constatando que seu índice de solvência caiu para menos de 50% do mínimo legal. A situação levou à prisão de dirigentes e ex-dirigentes do banco e à renúncia do presidente do BCP, Carlos Carvallo.

Impeachment e impasse no Congresso

A oposição paraguaia defende que Peña sofra o impeachment para que perca o foro privilegiado vitalício, mesmo após a renúncia. A Câmara dos Deputados aprovou o pedido de impeachment por unanimidade, encaminhando-o ao Senado. Contudo, a sessão conjunta do Congresso para votar a renúncia foi suspensa por falta de quórum, após uma manobra da base governista que, segundo opositores, temia a derrota na votação. Com o impasse, Peña segue como presidente, enquanto o vice-presidente Pedro Alliana, que também enfrentou pedido de impeachment rejeitado pela Câmara, deve assumir o cargo caso a renúncia seja aceita ou o impeachment seja concluído.

Santiago Peña afirmou em redes sociais que apresentará argumentos e provas para se defender do processo de impeachment, prometendo colaborar com as investigações e declarando que ninguém deve estar acima da lei. A oposição questiona empréstimos concedidos a empresas ligadas ao Grupo Vázquez, alegando conflito de interesses e manipulação de regras, com possível acobertamento do Banco Central.

Repercussão e próximos passos no Brasil

O governo brasileiro acompanha a crise no Paraguai com cautela, temendo instabilidade no país vizinho. O Palácio do Planalto avalia que a renúncia de Peña, próximo a Donald Trump e Javier Milei, enfraquece a direita alinhada ao ex-presidente americano na América Latina. O Itamaraty mantém avaliações internas e evita manifestações públicas, considerando a sucessão uma questão interna paraguaia.

A expectativa em Brasília é que a saída de Peña tenha pouco efeito sobre a relação bilateral, mas a preocupação é com possíveis reflexos na fronteira e na parceria em Itaipu caso a crise se prolongue. O evento Summit Paraguay–Brasil, organizado pelo grupo Lide, liderado por João Doria, que previa a participação de Peña e do ex-presidente Michel Temer, foi adiado de novembro para janeiro de 2027.

Em dezembro, o presidente Lula deve participar da cúpula do Mercosul em Montevidéu, onde o Paraguai deve ser representado pelo vice-presidente Pedro Alliana.

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