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Preços do petróleo caem com expectativa de trégua, mas ataques mantêm alerta

26 de outubro de 2026
Preços do petróleo caem com expectativa de trégua, mas ataques mantêm alerta

Destaques

  • •Contratos futuros do petróleo WTI e Brent recuam após alta expressiva na semana passada.
  • •Ataques persistentes contra a Arábia Saudita e tensões no Oriente Médio continuam a gerar volatilidade no mercado.
  • •Esforços diplomáticos e a adaptação da cadeia de suprimentos global moldam as expectativas futuras.

Os preços do petróleo registraram queda nesta segunda-feira (26), após uma semana de forte alta que aproximou as cotações das máximas de seis meses. A expectativa de uma redução nas hostilidades entre Estados Unidos e Irã impulsionou o movimento de recuo, mas os ataques contínuos contra a Arábia Saudita, um dos maiores produtores mundiais, mantêm os investidores em estado de alerta.

Os contratos futuros do petróleo West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, caíam US$ 2,03 (1,97%), para US$ 101,20 por barril, no início das negociações. Já o petróleo Brent, referência internacional, recuava US$ 1,80 (1,54%), negociado a US$ 114,90.

Na sexta-feira (23), os preços haviam fechado em alta de quase US$ 3, impulsionados por ataques dos houthis contra a Arábia Saudita, que intensificaram as preocupações com o abastecimento global de energia. O Brent acumulou valorização de 6% na semana, enquanto o WTI subiu 2,3%.

Esforços diplomáticos e tensões regionais

Um esforço para diminuir as tensões regionais ganhou força neste domingo (25), com a viagem de mediadores do Catar a Teerã. A iniciativa ocorre em coordenação com os Estados Unidos, segundo uma autoridade familiarizada com o assunto. Paralelamente, altos funcionários da Arábia Saudita, Turquia e Paquistão, integrantes do Pacto de Meca, devem se reunir com autoridades iranianas em Teerã. Este será o primeiro contato de alto nível desde que os ataques dos houthis, apoiados pelo Irã, contra a Arábia Saudita se tornaram um ponto de pressão no conflito mais amplo.

Apesar dos avanços diplomáticos, os ataques persistiram durante o fim de semana. Os houthis reivindicaram a autoria de ataques contra estações de bombeamento do oleoduto saudita Leste-Oeste e o aeroporto de Riad. A Arábia Saudita, por sua vez, informou ter interceptado mísseis e drones.

Volatilidade e riscos para o abastecimento

Analistas alertam que o alívio nos preços pode ser temporário. Vandana Hari, fundadora da Vanda Insights, ressalta que os temores de uma retomada das hostilidades militares no Oriente Médio, que impulsionaram a alta na semana passada, diminuíram, mas a situação subjacente ainda gera incertezas. Ela aponta que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não dissipou as expectativas de que ataques contra o Irã ainda possam ocorrer após as eleições legislativas de meio de mandato em 3 de novembro.

“Portanto, esperamos que a volatilidade permaneça elevada, com os riscos ainda inclinados para a alta”, acrescentou Hari. Priyanka Sachdeva, chefe de análise de mercado da Phillip Nova, concorda que, embora os riscos para o abastecimento relacionados ao Estreito de Ormuz permaneçam, a retração atual dos preços reflete mais ajustes de posições do que uma melhora significativa na situação de abastecimento.

O chefe da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, reforçou as preocupações com o abastecimento, afirmando que não espera que os mercados de energia retornem às condições anteriores à guerra com o Irã em 2027.

Adaptação e resiliência da cadeia de suprimentos

Em resposta às interrupções no transporte marítimo pelo estratégico Estreito de Ormuz e pelo estreito de Bab el-Mandeb, provocadas pelo conflito, as empresas buscam adaptar suas cadeias de suprimentos. Os ministros da Energia da Arábia Saudita e de Singapura anunciaram que a estatal petrolífera saudita Saudi Aramco começará a armazenar petróleo bruto em Singapura a partir do segundo semestre de 2027. O objetivo é reforçar a resiliência da sua cadeia de abastecimento na região.

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