FMI: Brasil sobe para 8º maior economia, mas avanço depende de ajuste fiscal

Destaques
- •O FMI projeta o Brasil como a 8ª maior economia global em 2027, superando Itália e Rússia.
- •Especialistas alertam que a projeção depende de um ajuste fiscal robusto e controle das contas públicas.
- •O Brasil precisa focar em produtividade e inovação para um crescimento sustentável, além de depender de fatores externos como commodities e juros altos.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) projetou que o Brasil voltará a figurar entre as oito maiores economias do mundo em 2027, com um Produto Interno Bruto (PIB) nominal estimado em aproximadamente US$ 2,8 trilhões. Com essa projeção, o país ultrapassaria Itália (US$ 2,77 trilhões) e Rússia (US$ 2,68 trilhões), que atualmente ocupam posições próximas no ranking global. O Brasil já ocupa a 10ª posição, com o PIB projetado para fechar 2026 em US$ 2,655 trilhões, segundo o mesmo relatório do FMI.
Avanço condicionado ao ajuste fiscal
Especialistas consultados pela Forbes indicam que a concretização dessa projeção, especialmente a subida no ranking, está atrelada a sinais claros de controle das contas públicas por parte do governo do presidente Lula. Segundo Alexandre Chaia, professor de economia do Insper, o cenário ideal envolve um ajuste fiscal que permita ao Banco Central reduzir os juros. Essa redução, por sua vez, abriria espaço para o investimento privado e o consequente aumento da capacidade produtiva de longo prazo.
Sem a ancoragem da dívida pública, os juros permanecem altos, o consumo perde força e os investimentos produtivos ficam travados. O governo Lula, ao entrar em 2027, terá a necessidade de cortar ou otimizar gastos compulsórios para impulsionar a economia.
Fatores externos e baixa produtividade
O salto do PIB nominal projetado para o Brasil não se deve, segundo os especialistas, a um aumento de eficiência, inovação ou tecnologia. A desaceleração da economia real brasileira, descontada a inflação, é prevista pelo FMI, com projeções de crescimento de 2,3% em 2025 para 1,9% em 2027. Rodolfo Margato, economista da XP Inc., espera um crescimento ainda menor, em torno de 1% para 2027.
Fatores como a alta das commodities, impulsionada por conflitos geopolíticos como a guerra entre EUA e Irã, e o alto patamar dos juros brasileiros, que atrai investimento estrangeiro, contribuem para a valorização do real frente ao dólar e para o aumento do PIB nominal. Fernando Saad Benati, estrategista da Avenue, destaca que a exportação de petróleo mais caro e a entrada de cerca de R$ 45,2 bilhões em investimentos estrangeiros na B3 até meados de outubro de 2026 impulsionam esses resultados.
Desafios históricos e qualidade de vida
A ultrapassagem sobre Itália e Rússia é vista mais como reflexo do enfraquecimento e das travas estruturais desses países do que de uma arrancada brasileira. A produtividade do trabalho no Brasil, medida pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), é historicamente baixa, com o trabalhador brasileiro gerando em média cerca de US$ 21,20 por hora trabalhada, ficando atrás de vizinhos como Argentina, Uruguai e Chile. Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, aponta essa baixa produtividade como uma questão histórica brasileira, sem melhora significativa nos governos recentes.
Apesar de subir no ranking de PIB nominal, a renda média e a qualidade de vida dos brasileiros ainda estão distantes dos países europeus. Chaia ressalta que a Itália, mesmo perdendo posição no PIB, mantém um nível de qualidade de vida superior. No caso da Rússia, o cenário é de desgaste provocado pelo conflito militar e isolamento internacional.
Próximos passos e riscos
O principal desafio para o governo Lula nos próximos quatro anos é demonstrar compromisso com o ajuste fiscal para estabilizar a trajetória da dívida pública. A falta de ações concretas pode levar à perda de credibilidade internacional, aumento do risco Brasil e deterioração dos fluxos de investimento estrangeiro, segundo Benati. Margato reforça que um ajuste fiscal seguro é fundamental para transmitir confiança aos investidores e impulsionar o PIB.
O controle das despesas públicas é o ponto de partida para um ciclo virtuoso, que inclui a redução de juros, atração de capital estrangeiro e investimento produtivo, gerando mais renda e melhorando a qualidade de vida. A capacidade do Estado em otimizar seus gastos é crucial para que a economia real brasileira possa girar de forma mais robusta.



