Portugal: Associação cancela festival neonazista após denúncia

Destaques
- •Associação Cultural e Recreativa da Matriz, em Portugal, cancelou a continuidade do festival neonazista "Masters of the Sea".
- •O evento, organizado pela rede extremista Blood & Honour, reuniu mais de 200 pessoas e teve sua localização alterada de última hora.
- •A organização Blood & Honour é alvo de restrições em diversos países e monitorada por serviços de inteligência.
A Associação Cultural e Recreativa da Matriz, localizada na Póvoa de Varzim, em Portugal, anunciou neste sábado (31/10) que não autoriza a realização do segundo dia do festival de música neonazista "Masters of the Sea". O evento, organizado pelo núcleo português da rede extremista Blood & Honour, reuniu mais de 200 pessoas de diferentes nacionalidades na noite de sexta-feira (30/10).
A reportagem da jornalista Stefani Costa, publicada pelo diário Expresso e reproduzida pela imprensa portuguesa, revelou que o festival, inicialmente previsto para ocorrer no município da Maia, acabou sendo realizado nas instalações da Associação da Matriz. A mudança de local e a divulgação restrita do endereço foram estratégias para despistar autoridades.
O que diz a Associação da Matriz
Em comunicado divulgado no sábado (31/10), a direção da Associação da Matriz afirmou que o espaço havia sido solicitado por um particular para a realização de uma festa de aniversário, com animação musical e bandas ao vivo. Essa foi a finalidade informada no momento da solicitação, que fundamentou a autorização para utilização do salão.
Segundo a associação, ao tomar conhecimento da verdadeira natureza do evento, decidiu cancelar a autorização e adotou medidas para impedir sua continuidade. A direção declarou que "não autoriza a realização do evento" e que defenderá essa decisão pelos meios legais, respeitando eventuais decisões judiciais.
O festival e a rede Blood & Honour
A terceira edição do "Masters of the Sea" deveria reunir cerca de 300 participantes, entre integrantes de grupos supremacistas e neonazistas de diferentes países. A previsão inicial era de que os concertos ocorressem na região de Vila Nova da Telha, no município da Maia. Após a divulgação da notícia, a Câmara Municipal da Maia afirmou que não havia licenciado nem autorizado o festival.
O presidente da Associação da Matriz, António Castro, declarou que acreditava estar cedendo o espaço para um concerto de rock. Ao perceber a natureza do encontro, tentou impedir sua realização e comunicou a situação à Polícia de Segurança Pública (PSP) e à Câmara Municipal.
O festival é organizado pela Blood & Honour Portugal, ramificação nacional de uma rede neonazista fundada em 1987 no Reino Unido. A organização mantém estruturas em diferentes países e promove encontros ligados à música e à ideologia supremacista branca. A edição deste ano previa a participação de pelo menos dez bandas e de integrantes de organizações neonazistas de diferentes nacionalidades, como Skumshot (Grécia), Mr Obled (Polônia), Legião Lusitana (Portugal) e Flak (Alemanha).
Restrições e monitoramento internacional
A Blood & Honour é alvo de medidas restritivas em diversos países. O Canadá incluiu a organização em sua lista de entidades terroristas em 2019, e o governo britânico anunciou, em janeiro de 2025, o congelamento de seus ativos no âmbito do regime de sanções contra o terrorismo.
A estrutura portuguesa, fundada em 1998, é acompanhada pelo Serviço de Informações de Segurança (SIS) e já foi objeto de investigações policiais. Os ingressos eram vendidos por 50 euros por dia, e o endereço dos concertos era mantido em sigilo até poucas horas antes de sua realização.
A realização do festival também provocou apreensão entre moradores e comerciantes da região central da Póvoa de Varzim, com alguns estabelecimentos antecipando o fechamento diante da movimentação de participantes.
Matérias originais
- Associação cancela segundo dia de festival neonazista realizado em Portugal · operamundi.uol.com.br



