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PF investiga R$ 320 milhões em contrato da Financeira BRB com envolvimento de Rueda e Vorcaro

04 de novembro de 2026
PF investiga R$ 320 milhões em contrato da Financeira BRB com envolvimento de Rueda e Vorcaro

Destaques

  • •Mensagens da PF revelam negociações entre Antonio Rueda e Daniel Vorcaro para venda de 49,9% da Financeira BRB por R$ 320 milhões.
  • •Cláusulas discutidas davam ao grupo comprador poderes administrativos e de aprovação de crédito, mesmo com participação minoritária.
  • •A negociação foi cancelada após questionamentos do Banco Central sobre a origem dos recursos e as condições do acordo.

Mensagens obtidas pela Polícia Federal de um celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro indicam que o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, discutiu com ele os termos de um contrato de R$ 320 milhões para a venda de 49,9% da Financeira BRB, subsidiária do Banco de Brasília. As conversas, ocorridas em julho de 2024, detalhavam cláusulas que poderiam conceder ao grupo comprador poderes sobre a administração da instituição, incluindo a aprovação de operações financeiras e de crédito, mesmo sem deter a maioria do capital.

O contrato previa a aquisição da participação acionária por R$ 320 milhões, a serem pagos em 10 parcelas anuais. Rueda encaminhou a Vorcaro uma lista de 14 alterações ao acordo de acionistas e 15 ao contrato de compra e venda. Entre as propostas estava o direito do comprador de indicar o diretor financeiro, com autonomia para aprovar operações financeiras. Vorcaro sugeriu ampliar esses poderes para aprovar operações de crédito. As mensagens também abordavam a possibilidade de o grupo investidor ter maioria de votos no conselho de administração e a exigência de distribuição de 60% do lucro líquido da financeira, além da autonomia dos diretores indicados pelos compradores.

O processo de venda e as exigências contratuais

A busca por um parceiro estratégico para a Financeira BRB foi formalizada em 2 de fevereiro de 2024. Em 5 de julho de 2024, o BRB anunciou a aprovação de um grupo de investidores formado por José Ricardo Lemos Rezek, André Luiz Vieira Azim e Carla Pontes. O contrato previa a venda de 49,9% das ações por R$ 320 milhões, valor correspondente a 1,97 vez o patrimônio líquido da instituição em 31 de dezembro de 2023. O comunicado oficial não mencionou Rueda nem Vorcaro como parte do grupo comprador.

As propostas incluíam a transferência de ativos da carteira de crédito da financeira para o BRB, como créditos inadimplentes, após análise do comprador. Outra cláusula previa que o BRB assegurasse o capital regulatório mínimo, embora o aporte pelo banco público fosse uma medida de última instância. As mensagens não confirmam se todas essas condições foram incorporadas ao contrato final.

Questionamentos do Banco Central e o distrato

A negociação enfrentou obstáculos, com o Banco Central (BC) identificando problemas na comprovação da origem dos recursos e divergências nas condições do acordo de acionistas. O grupo comprador recorreu, mas o BC não emitiu uma decisão final. Em 26 de dezembro de 2025, o BRB anunciou o distrato da operação, citando uma decisão consensual das partes de não prosseguir com as tratativas junto ao BC devido às condições contratuais e regulatórias pendentes. O comunicado de distrato mencionou a venda de 49% da financeira, em vez dos 49,9% informados anteriormente.

Posicionamentos dos envolvidos

A assessoria de José Ricardo Lemos Rezek afirmou que é um erro associá-lo ao processo de aquisição, declarando que ele não participou da seleção competitiva e só foi convidado a integrar a sociedade posteriormente como investidor minoritário. A equipe de Rezek negou que ele tenha tratado de qualquer assunto da BRB Financeira com Rueda e Vorcaro. A defesa de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, informou que as conversas não o tinham como interlocutor e se referiam a acionistas, não a ele, que sempre agiu com governança e legalidade.

Os advogados de Daniel Vorcaro não se manifestaram. Antonio Rueda não respondeu até a publicação. Ao jornal O Globo, ele declarou que sua participação em assuntos do Banco Master ocorreu no exercício da advocacia, dentro dos limites legais e éticos, invocando sigilo profissional para não detalhar comunicações com clientes.

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