Petróleo em alta e Fed mantêm juros: Brasil sente impacto na inflação e câmbio

Destaques
- •Petróleo Brent atinge US$ 115,32, alta de 80% no ano, pressionando o diesel no Brasil.
- •Federal Reserve mantém juros nos EUA entre 3,75% e 4%, mas sinaliza cautela com inflação persistente.
- •Combinação de fatores externos eleva o custo de vida no Brasil e restringe espaço do Copom para cortar a Selic.
O preço do petróleo Brent fechou em US$ 115,32 o barril, acumulando uma alta de cerca de 80% desde o início do ano. Paralelamente, o Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, manteve sua taxa de juros inalterada na faixa de 3,75% a 4% ao ano, mas indicou que a inflação permanece elevada, com dois dirigentes votando por uma nova alta. Esses fatores internacionais impactam diretamente a economia brasileira, especialmente o custo do diesel e a pressão inflacionária.
Choque do Oriente Médio eleva preço do diesel no Brasil
O aumento do petróleo Brent, impulsionado por tensões no Oriente Médio e problemas de oferta perto do Estreito de Ormuz, tem um reflexo direto no Brasil através do diesel. O combustível é essencial para o transporte de mercadorias, impactando a inflação em diversos setores. A Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) aponta uma defasagem de R$ 3,53 por litro nas refinarias da Petrobras, superando a subvenção atual. O IPCA de setembro já registrava 4,58% em 12 meses, indicando que a inflação estava prestes a ultrapassar o teto da meta, mesmo antes de repasses integrais.
Fed mantém juros nos EUA e inflação segue como preocupação
Nos Estados Unidos, o Fed manteve os juros, mas o comunicado destacou que a inflação continua elevada. A gasolina, por exemplo, subiu 34,2% em setembro, respondendo por mais da metade da alta do índice de preços ao consumidor (CPI), que chegou a 3,7% em 12 meses. A decisão de manter os juros altos, ou até mesmo a possibilidade de novas altas em dezembro, como sugeriram dois dirigentes, tem implicações globais. O presidente do Fed, Kevin Warsh, reforçou o compromisso em levar a inflação à meta de 2%, mas ressaltou a necessidade de avaliar os próximos dados econômicos.
Juros altos nos EUA impactam câmbio e juros brasileiros
A política monetária dos EUA, com juros elevados, torna os títulos americanos mais atrativos, fortalecendo o dólar e desvalorizando moedas de emergentes como o real. Isso se soma a fatores domésticos, como o risco fiscal, que já haviam pressionado o dólar a R$ 5,50 após o segundo turno das eleições. Embora tenha havido uma recuperação parcial, o piso do câmbio se elevou. Para o Copom, que se reunirá em novembro, o cenário é desafiador: decidir sobre a Selic com inflação represada, dólar mais caro e um Fed que pode voltar a subir juros. O mercado já ajustou suas projeções de cortes na Selic para baixo.
O que diz a pesquisa
Um estudo publicado na ACTA VŠFS em 2025, intitulado "The Dynamic Impact of Energy Price Fluctuations on Inflation in Nigeria: Evidence from 1990–2023", investigou o impacto das flutuações nos preços da energia sobre a inflação na Nigéria. Utilizando a abordagem de testes de co-integração ARDL, a pesquisa encontrou uma relação significativa e positiva de longo prazo entre os preços da energia e a inflação, com os preços da gasolina exercendo o maior impacto. O estudo conclui que a volatilidade dos preços da energia é um motor importante da inflação e recomenda estratégias para estabilizar cadeias de suprimentos e diversificar a matriz energética.
Pesquisa citada
Matérias originais
- Petróleo a US$ 115 e Fed: a Conta Que Não Vem de Brasília · forbes.com.br
- Fed mantém juros dos EUA na faixa de 3,75% a 4% ao ano a poucos dias das eleições para o Congresso · g1.globo.com
- Fed mantém juros nos EUA. Dois dirigentes defendem nova alta diante da inflação · investnews.com.br
- Fed Mantém Juros entre 3,75% e 4% sob Pressão do Petróleo, Mas Racha no Comitê Sinaliza Aperto À Frente · forbes.com.br
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