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Perda de 55% na soja sem defensivos custaria R$ 223,5 bilhões, diz estudo

02 de novembro de 2026
Perda de 55% na soja sem defensivos custaria R$ 223,5 bilhões, diz estudo

Destaques

  • •Estudo da UFV aponta que lavouras de soja no Brasil podem ter perdas de até 55% na produtividade sem proteção contra pragas e doenças.
  • •A ausência de manejo fitossanitário poderia gerar uma perda média de 121,3 milhões de toneladas, com valor estimado em R$ 223,5 bilhões.
  • •O estudo analisou o impacto econômico e os diferentes métodos de controle, incluindo defensivos químicos e biotecnologia.

Lavouras de soja no Brasil podem registrar perdas de produtividade de até 55% caso não sejam protegidas contra pragas, doenças e ervas daninhas. A constatação é de um estudo da Universidade Federal de Viçosa (UFV), em parceria com a Croplife Brasil, associação que reúne empresas de biotecnologia, melhoramento genético e defensivos agrícolas. A redução na produção poderia impactar negativamente a economia brasileira e os preços de produtos ao consumidor.

O estudo simulou cenários com controle ótimo (80% de proteção), controle parcial (40%) e sem qualquer controle. Com manejo ideal, a produtividade por hectare pode chegar a 72 sacas. No controle parcial, seriam 52 sacas, 28% menos. Sem controle algum, a produtividade cairia para 32 sacas, representando uma perda de 55%.

Impacto econômico da perda de produtividade

A falta de controle fitossanitário exigiria o plantio de uma área adicional de 33,5 milhões de hectares, quase o tamanho do estado de Goiás, para compensar as perdas. A perda média estimada seria de 121,3 milhões de toneladas, com um valor de R$ 223,5 bilhões. Em termos de exportação, a receita simulada com controle ótimo chega a US$ 44,2 bilhões. Sem controle, recua para US$ 26,6 bilhões, uma diferença potencial de US$ 17,6 bilhões por safra.

A redução na oferta de soja poderia gerar uma alta de até 49% no preço do grão. Isso se refletiria em um aumento de cerca de 0,26 ponto percentual na inflação oficial (IPCA), afetando preços de produtos como óleo, leite e ovos. A pesquisadora da UFV, Ana Carolyne Carvalho, explica que a redução da produtividade no campo impacta o preço e a disponibilidade de derivados da soja, como o óleo e o farelo, influenciando também os preços de carnes de porco e frango, que dependem da cadeia produtiva da soja.

Métodos de controle e controvérsias

O estudo considerou quatro métodos de controle fitossanitário: biotecnologia (organismos geneticamente modificados - OGMs), melhoramento genético, bioinsumos e defensivos químicos, além do manejo integrado. O uso de defensivos químicos, popularmente chamados de agrotóxicos, é controverso devido a potenciais riscos ao meio ambiente e à saúde humana, conforme levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

O Ipea aponta que o uso de defensivos químicos no Brasil cresceu 4,4 vezes entre 2003 e 2023, passando de 180 mil para 800 mil toneladas anuais. O país lidera o uso por hectare plantado, com 10,9 kg/ha, quatro vezes mais que os EUA. O pesquisador da Embrapa, Robson Barizon, alerta para riscos à saúde e contaminação ambiental dos defensivos químicos, afetando biodiversidade.

Barizon também comenta que OGMs podem tanto reduzir quanto aumentar o uso de agrotóxicos. Plantas resistentes a pragas dispensam defensivos, mas outras tolerantes a herbicidas podem levar ao uso intensivo dessas substâncias. Ele ressalta que não há evidências científicas robustas de riscos adicionais à saúde humana associados ao consumo de OGMs aprovados.

Regulamentação e registros de agrotóxicos

O coordenador de Sustentabilidade da Croplife, Pedro Duarte, afirma que o setor investe em segurança para aprovação de defensivos químicos, que passam por muitos estudos. De 2005 a 2019, 3.151 novos agrotóxicos foram registrados no Brasil, com apenas 20% de baixa toxicidade, segundo o Ipea.

Após a nova Lei dos Agrotóxicos (Lei 14.875/2023), o ritmo de registros aumentou. Em 2024, foram 663 liberações, superando as 555 de 2023. Dados do Ministério da Saúde indicam 73.391 casos de intoxicação por agrotóxico entre 2015 e 2025, com 9.729 apenas no ano passado.

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