Paulliny Tort celebra sucesso de 'Os Imortais' com prêmio e adaptação para o cinema

Destaques
- •O romance 'Os Imortais', de Paulliny Tort, ambientado há 50 mil anos com neandertais, é um sucesso de crítica e público.
- •O livro ganhou o Prêmio Literário Biblioteca Nacional e será adaptado para o cinema pelo produtor Rodrigo Teixeira.
- •Traduções para diversos idiomas e reimpressões marcam o reconhecimento internacional e nacional da obra.
O romance Paulliny Tort, Os Imortais, que transporta o leitor para um cenário de 50 mil anos atrás com um grupo de neandertais, alcançou um marco significativo ao ser agraciado com o Prêmio Literário Biblioteca Nacional. A obra, lançada em março pela Fósforo Editora, já está em sua sexta reimpressão e foi um dos títulos mais vendidos na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). O sucesso se estende ao mercado internacional, com traduções para inglês, espanhol, francês e polonês já planejadas.
Um dos aspectos surpreendentes do êxito de Os Imortais é sua ambientação em um passado tão remoto e o uso de vocabulário incomum, como "sanga", "epícea" e "auroque", para narrar os dramas de sobrevivência e as relações dentro de um clã neandertal. A escritora Paulliny Tort, 47 anos, que se tornou escritora em tempo integral aos 37, buscou uma imersão profunda no tema, chegando a escrever sob jejum para simular as privações vivenciadas pelos personagens.
O processo criativo e a inspiração na natureza
Paulliny Tort descreve seu processo criativo como um ato de "sintonizar um rádio", onde a imaginação flui sem controle direto, permitindo um estado de consciência diferente do cotidiano. Sua formação em jornalismo e os cursos não concluídos em Engenharia Florestal, Oceanografia e Ciências Biológicas refletem seu profundo interesse pela natureza e pelo meio ambiente, elementos que permeiam sua escrita.
A escritora atribui a sua avó o incentivo para observar a natureza e a admiração por outras formas de vida. Ela cita autores como Stefano Mancuso e Merlin Sheldrake, cujas obras sobre a vida vegetal e fúngica reforçam a ideia de que outras formas de vida possuem uma consciência que merece atenção.
Em relação à precisão científica sobre os neandertais, Tort esclarece que Os Imortais não é um tratado. Ela se permitiu liberdade para imaginar a comunicação entre os neandertais, que pode ter sido mais desenvolvida do que se supõe popularmente, evitando uma representação simplista.
Diálogos com o presente e o acesso à leitura
Os Imortais aborda temas como escassez de recursos, violência, tribalismo e desconfiança do desconhecido, elementos que podem ser vistos em diálogo com o mundo contemporâneo. Paulliny Tort pondera que a colaboração é tão fundamental quanto a competição para a evolução das espécies, criticando a visão simplista da "lei do mais forte" como único motor da sobrevivência.
A escritora também comentou sobre o acesso à leitura no Brasil, defendendo que a dificuldade não reside na falta de interesse do brasileiro, mas sim nas condições socioeconômicas que limitam o tempo e a energia para a leitura. Ela aponta a necessidade de políticas públicas mais robustas para aquisição de livros e fortalecimento de bibliotecas, além de condições de trabalho que permitam às pessoas ter mais tempo livre.
Tort enfatiza que a leitura de ficção é um exercício de sensibilidade e não um meio para se tornar mais inteligente. Ela defende que o livro é um objeto afetivo, que pode ser passado de geração em geração, e que a compra de livros não deve ser vista como um desperdício, mas como um investimento na formação humana.
Adaptação para o cinema e próximos passos
O sucesso de Os Imortais culminou na adaptação da obra para as telas pelo renomado produtor cinematográfico Rodrigo Teixeira, conhecido por seu trabalho em Ainda Estou Aqui, vencedor do Oscar. A notícia da adaptação cinematográfica adiciona mais um capítulo à trajetória de reconhecimento do romance, que já conquistou prêmios e se tornou um best-seller.
A escritora Paulliny Tort, que antes de se dedicar integralmente à literatura trabalhou em diversas funções, incluindo secretária, recepcionista e vendedora, vê a escrita como um ato libertador. O apoio de sua editora, Rita Mattar, que se dispôs a esperar o tempo necessário para a conclusão do livro, foi fundamental em seu percurso.



