Brasil intensifica vacinação contra sarampo em fronteira com Peru e Colômbia

Destaques
- •Ação conjunta visa conter avanço da doença na tríplice fronteira e em países vizinhos.
- •EUA registram maior número de casos em 35 anos, com 96% de infecções em não vacinados.
- •Opas avaliará se EUA ainda cumprem critérios para país livre de sarampo endêmico.
Municípios da tríplice fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia recebem neste sábado (7) uma mobilização conjunta de vacinação contra o sarampo. No lado brasileiro, a ação ocorre em Tabatinga, Benjamin Constant, São Paulo de Olivença e Atalaia do Norte, no Amazonas. A estratégia, realizada em parceria com governos locais e com apoio de distritos sanitários especiais indígenas e Casas de Saúde Indígena, busca ampliar a proteção da população diante do avanço da doença nas Américas, incluindo em países vizinhos.
A proposta é intensificar a vacinação em portos, comunidades ribeirinhas e áreas indígenas, com equipes atuando em unidades de saúde, locais de grande circulação e também por meio de visitas domiciliares. O Ministério da Saúde disponibilizou 500 mil doses da vacina tríplice viral ao Peru, que registra mais de 2 mil casos em 2026 e está entre os países com maior número de notificações nas Américas. A Colômbia confirmou 17 casos neste ano. O envio das doses ao Peru está previsto para os próximos dias.
Vacinação na fronteira e cenário internacional
Nos quatro municípios amazonenses, a vacina tríplice viral está disponível para todos a partir dos 6 meses de vida, independentemente do histórico vacinal. Crianças de 6 a 11 meses e 29 dias recebem a dose zero, que não substitui as doses previstas no calendário de rotina. A partir de 12 meses, deve ser seguido o esquema recomendado para cada idade.
Enquanto isso, os Estados Unidos enfrentam o maior surto de sarampo em 35 anos, com 5.182 casos registrados em 2026, segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). A grande maioria das infecções, 96%, ocorreu entre pessoas não vacinadas ou com status vacinal desconhecido. A Pensilvânia é o estado mais afetado, com 1.487 casos e 287 internações. Foram registradas quatro mortes associadas à doença no país, embora autoridades estaduais apontem um número maior.
Brasil e a luta contra o sarampo
O Brasil permanece livre da circulação endêmica do sarampo desde 2024. Em 2019, o país registrou mais de 20 mil casos. Este ano, foram confirmados 65 casos importados, sendo 21 no Amazonas. Para evitar a reintrodução do vírus, o ministério mantém estratégias como busca ativa, vigilância epidemiológica e bloqueio vacinal.
A cobertura vacinal contra o sarampo no Amazonas em 2025 foi de 89,7% para a primeira dose e 76% para a segunda. Nacionalmente, os índices foram de 93,15% e 78,61%, respectivamente. Especialistas apontam a queda na cobertura vacinal, impulsionada por movimentos antivacina, como causa principal dos surtos em outros países.
Próximos passos e vigilância
Na próxima semana, há expectativa de que a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) avalie se os Estados Unidos ainda atendem aos critérios para manter o status de país que eliminou o sarampo, status que o país detém desde 2000.
A doença é altamente contagiosa e pode causar complicações graves, como pneumonia e encefalite, sendo potencialmente fatal. A vacina tríplice viral é a principal forma de prevenção. Em casos de surtos, o Ministério da Saúde recomenda uma dose da vacina para crianças a partir de 6 meses e a revacinação de adultos.
Matérias originais
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