Paraguai: Depositantes do Ueno Bank protestam após intervenção e prisões

Destaques
- •Manifestantes foram às ruas no Paraguai para exigir a devolução integral de recursos após o Banco Central intervir no Ueno Bank.
- •Oito dirigentes do banco foram presos e o presidente do Banco Central pediu renúncia após a crise.
- •O Fundo de Garantia de Depósitos cobre até R$ 210 mil por cliente, mas depositantes cobram devolução total.
Centenas de depositantes e aposentados do Ueno Bank foram às ruas do Paraguai na terça-feira (3.nov.2026) para exigir a devolução integral de seus recursos. A manifestação ocorreu após o Banco Central do país assumir o controle da instituição financeira e a prisão de oito de seus dirigentes.
O ato, que começou de forma pacífica no centro de Assunção, em frente ao Panteón Nacional de los Héroes, evoluiu para confrontos quando um grupo tentou avançar em direção à sede do Congresso. A Polícia Nacional interveio, resultando em correria e choques em diferentes pontos da zona histórica da capital paraguaia.
Pressão na residência presidencial
Paralelamente aos incidentes no centro, outro grupo de manifestantes se reuniu em frente à Mburuvicha Róga, residência oficial do presidente Santiago Peña. Os manifestantes dirigiram suas críticas diretamente ao chefe de Estado, cobrando a devolução de recursos do Instituto de Previsión Social (IPS) e de fundos de aposentadoria que estavam investidos no banco.
Com cartazes, os protestantes exigiram que o Estado garanta a devolução de 100% dos fundos. Algumas mensagens pediam que o próprio presidente da República respondesse judicialmente pelo caso e fosse preso. Houve atritos e empurrões com policiais no local.
O que levou à intervenção
Na segunda-feira (2.nov.2026), o Banco Central do Paraguai decidiu, por unanimidade, iniciar o procedimento de resolução do Ueno Bank. A decisão foi tomada após constatar que o índice de solvência do banco havia caído para menos de 50% do mínimo exigido pela legislação.
O banco digital atendia cerca de 2,9 milhões de clientes. Com a abertura do procedimento, as operações da instituição foram suspensas, e os depósitos ficaram temporariamente indisponíveis enquanto as autoridades definem o mecanismo de resolução e a forma de restituição dos recursos.
Dirigentes presos e renúncia no Banco Central
A Fiscalía ordenou a prisão de oito dirigentes e ex-dirigentes do banco, entre eles o presidente da instituição, Juan Manuel Gustale, e o empresário Miguel Vázquez. Em meio à crise, o presidente Santiago Peña pediu a renúncia do presidente do Banco Central, Carlos Cavallo, que anteriormente havia sido dirigente do Ueno Bank. Cavallo apresentou sua renúncia na terça-feira (3.nov).
O Fundo de Garantia de Depósitos do Paraguai garante a cobertura de até 228,3 milhões de guaranis (cerca de R$ 210 mil) por depositante e por instituição financeira. No entanto, os manifestantes cobram a devolução integral de seus recursos, independentemente do limite garantido.
Matérias originais
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