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Paraguai: Banco Central ressarcirá R$ 850 milhões a clientes do Ueno Bank

07 de novembro de 2026
Paraguai: Banco Central ressarcirá R$ 850 milhões a clientes do Ueno Bank

Destaques

  • •O Banco Central do Paraguai informou que 1,2 milhão de contas do Ueno Bank já foram ressarcidas, totalizando mais de R$ 850 milhões.
  • •A crise no Ueno Bank levou à destituição do presidente Santiago Peña e à posse do vice Pedro Alliana, que prometeu ressarcimento integral aos afetados.
  • •O novo governo paraguaio focará na recuperação de recursos, racionalização de gastos públicos e prestação de contas diária dos ministros.

O Banco Central do Paraguai (BCP) anunciou neste sábado (7) que 1,2 milhão de contas de clientes do Ueno Bank já foram ressarcidas, com um valor aproximado de 995 bilhões de guaranis, o que equivale a mais de R$ 850 milhões. A informação foi divulgada em coletiva de imprensa liderada pelo presidente do BCP, Pedro Acosta, e pelo presidente do Fundo de Garantia de Depósitos (FGD), José Maciel. O FGD é o órgão responsável pelos ressarcimentos, similar ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) brasileiro.

Inicialmente, estimava-se que 3 milhões de contas tivessem saldo na instituição financeira. No entanto, o BCP corrigiu o número para 1,87 milhão de contas com depósitos. Com o ressarcimento atual, cerca de 60% dos depositantes já teriam sido reembolsados. O processo de pagamento ocorre em fases: a primeira etapa, iniciada na quinta-feira (5), contemplou depósitos de até 10 milhões de guaranis (cerca de R$ 8,8 mil), para clientes sem dívidas com o banco e com conta ativa em outra instituição. A segunda etapa, anunciada na sexta-feira (6), atende depositantes com saldos entre 10 milhões e 121,7 milhões de guaranis (até R$ 107 mil), também sem dívidas e com conta ativa.

Crise e Acusações de Fraude

O Ueno Bank foi liquidado na quarta-feira (4) sob suspeitas de fraude contábil, o que impediu milhões de paraguaios de acessarem seus recursos e gerou protestos. Relatos indicam a detecção de empréstimos entre empresas ligadas ao banco sem garantias reais e um aumento de 4.600% em depósitos do governo paraguaio na instituição. Especialistas apontam a falta de fiscalização e uma suposta cumplicidade do BCP como fatores que permitiram o desenvolvimento das irregularidades.

O escândalo também envolveu figuras políticas. O então presidente do Paraguai, Santiago Peña, foi acionista do grupo controlador do banco até meados de 2025, e o então presidente do Banco Central do Paraguai, Carlos Carvallo, também foi sócio do Ueno Bank. Ambos renunciaram aos cargos após o escândalo, e Peña sofreu um processo de impeachment.

Novo Presidente e Prioridades

Em meio à crise, Pedro Alliana, que era vice-presidente, assumiu a Presidência do Paraguai na sexta-feira (6), após a destituição de Santiago Peña pelo Senado. Alliana, filiado ao Partido Colorado, comandará o país até agosto de 2028. Em seu primeiro discurso, ele priorizou a recuperação dos recursos dos clientes do Ueno Bank, prometendo compensação integral aos afetados e exigindo medidas urgentes para o ressarcimento, com preferência para os mais vulneráveis.

Além da crise bancária, Alliana anunciou planos para apresentar ao Congresso um projeto de racionalização dos gastos públicos, visando eliminar despesas supérfluas e realocar recursos para áreas sociais. Ele também prometeu maior rigor na administração pública, exigindo prestação de contas diária dos ministros e dirigentes de órgãos estatais, com metas e resultados concretos.

Impacto em Brasileiros e Próximos Passos

A crise no Ueno Bank também afetou brasileiros que residem no Paraguai, estimados em 263 mil pelo Itamaraty. Relatos nas redes sociais indicam dificuldades de solicitação de reembolso, com clientes do primeiro grupo ainda sem receber seus valores, gerando contestações às informações do Banco Central do Paraguai.

O ex-presidente Santiago Peña prestou depoimento ao Ministério Público no sábado (7), um dia após seu impeachment e colocação em prisão domiciliar. As acusações contra ele podem incluir tráfico de influência, conflito de interesses e manipulação da supervisão regulatória. Peña negou irregularidades, classificando os problemas do banco como uma questão regulatória.

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