Ossium Health revoluciona transplantes com medula óssea de doadores falecidos

Destaques
- •Startup Ossium Health desenvolve tecnologia para criopreservar medula óssea de doadores falecidos, oferecendo nova esperança para pacientes sem compatibilidade.
- •A técnica já resultou em 29 transplantes bem-sucedidos, com a empresa projetando receita de US$ 35 milhões em 2024 e planos de expansão para outras terapias.
- •Ossium Health se prepara para comercializar a medula óssea criopreservada em fevereiro de 2025, buscando reduzir o tempo de espera e ampliar o acesso ao tratamento.
A Ossium Health, uma startup sediada em São Francisco, está revolucionando o campo dos transplantes de medula óssea com uma tecnologia inovadora de coleta e criopreservação de células de doadores falecidos. Essa abordagem oferece uma nova esperança para pacientes que não encontram doadores compatíveis em suas famílias ou em bancos de dados tradicionais. Um dos primeiros pacientes a se beneficiar foi Jonathan Moore, de 48 anos, diagnosticado com leucemia agressiva. Sem opções de doadores vivos, Moore realizou o procedimento em janeiro, utilizando medula óssea criopreservada, e relata uma melhora significativa em sua saúde, considerando a data do transplante como seu "novo aniversário".
O que é a tecnologia da Ossium Health?
A tecnologia da Ossium Health permite a coleta e o congelamento de medula óssea de doadores falecidos, um material que antes era descartado. Diferente de órgãos como coração e pulmão, que precisam ser transplantados em poucas horas, a medula óssea, rica em células-tronco, pode ser criopreservada com sucesso. A empresa utiliza ossos da coluna vertebral dos doadores, que contêm uma quantidade maior de medula óssea vermelha ativa, em comparação com o material obtido da parte posterior do osso do quadril, que é a fonte usual em doadores vivos.
O processo de coleta e armazenamento, que leva de quatro a seis horas, resulta em bolsas de medula óssea congelada a -150 graus Celsius. Cada doador pode, em média, tratar três pacientes. A Ossium Health detém 15 patentes para seu processo e promete entregar o material em até 72 horas, um contraste significativo com os dois a quatro meses que a busca por um doador vivo pode levar.
Resultados e Expansão
Até o momento, a Ossium Health realizou 29 procedimentos, todos bem-sucedidos, como parte de ensaios clínicos e programas de uso compassivo. A empresa já realizou seu primeiro procedimento em um paciente de 14 anos e se prepara para comercializar sua medula óssea de doadores falecidos para tratamento de cânceres do sangue em fevereiro de 2025. A expectativa é que a receita atinja US$ 35 milhões este ano, um aumento de 75% em relação ao ano anterior, com projeções de ultrapassar US$ 120 milhões em 2025.
Além do tratamento de cânceres do sangue e anemia aplásica grave, a Ossium Health planeja desenvolver um portfólio de outras terapias com células-tronco, explorando variantes da medula óssea para tratar outras doenças. A empresa também utiliza material excedente para produzir enxertos de matriz óssea criopreservada, chamados OssiGraft, para cirurgias ortopédicas.
O Desafio dos Doadores Vivos e o Futuro
A dependência de doadores vivos apresenta desafios significativos. Cerca de 70% dos pacientes que necessitam de transplante de medula óssea não possuem um familiar compatível. Para pacientes negros e do sul da Ásia, as chances de encontrar um doador não aparentado são ainda menores devido à falta de diversidade nos registros. O tempo de espera também é um fator crítico para pacientes com câncer.
A Ossium Health firmou um contrato de até US$ 125 milhões com a Autoridade Federal de Pesquisa e Desenvolvimento Biomédico Avançado (BARDA) para manter medula óssea armazenada em caso de emergências. A empresa, que já possui parcerias com 60% das organizações de doadores de órgãos nos EUA, busca se tornar a principal fonte de células de medula óssea para transplantes na próxima década, com o objetivo de melhorar os resultados para os pacientes e, eventualmente, explorar o uso da medula óssea congelada para prolongar a vida.
O que diz a pesquisa
Um estudo publicado na revista Blood em 2025, intitulado "High-dose cryopreserved bone marrow from deceased donors may reduce relapse in HLA-mismatched allogeneic transplantation: Day 180 post-transplant HOPE update", investiga a segurança e eficácia de células progenitoras hematopoiéticas criopreservadas derivadas de medula óssea de doadores falecidos. O estudo apresenta dados de dia 180 para três pacientes tratados sob o programa HOPE, com três pacientes tendo leucemia mieloide aguda (LMA) em primeira remissão completa (CR1) e sem doadores compatíveis adequados.
A pesquisa avalia o uso de células de medula óssea de doadores falecidos em programas clínicos, como o HOPE Expanded Access Program e o ensaio clínico PRESERVE-I. Historicamente, o grau de compatibilidade HLA tem sido crucial para o sucesso do transplante alogênico de células hematopoiéticas (alloHCT), com maiores graus de incompatibilidade correlacionados a menor sobrevida. Embora a ciclofosfamida pós-transplante tenha reduzido as taxas de doença do enxerto contra hospedeiro (GVHD), a prevenção de recidivas ainda é uma necessidade não atendida.



