Orbital Matter imprime estrutura rígida no vácuo do espaço

Destaques
- •Startup alemã Orbital Matter demonstrou a fabricação de uma viga de meio metro diretamente no vácuo espacial com impressora 3D em satélite.
- •A tecnologia, que usa um material plástico próprio, pode permitir a construção de estruturas de até 100 metros em órbita, superando limitações de lançamento.
- •A empresa planeja uma nova demonstração em 2028 com um painel solar de 5 kW, visando sistemas de mais de 100 kW até 2030.
A startup alemã Orbital Matter demonstrou com sucesso a capacidade de fabricar uma estrutura rígida diretamente no vácuo do espaço. Utilizando uma impressora 3D a bordo do satélite Replicator 2, lançado em uma missão da SpaceX, a empresa produziu uma viga de aproximadamente meio metro de comprimento com um material plástico desenvolvido internamente. Este feito representa um avanço significativo na fabricação de componentes em órbita.
O processo de impressão 3D no espaço envolve a extrusão de resina e sua cura com luz ultravioleta, comparado pela empresa à mistura de cimento e água. Embora o comprimento da estrutura fabricada no teste tenha sido limitado pela quantidade de resina disponível, os engenheiros da Orbital Matter acreditam que a tecnologia pode ser escalada para construir vigas de até 100 metros. A capacidade de construir grandes estruturas em órbita pode resolver desafios atuais, como a necessidade de dobrar painéis solares e espelhos de telescópios para caberem em foguetes, um processo complexo que pode ser evitado com a fabricação in loco.
O que muda para a exploração espacial
A fabricação de componentes em órbita abre novas possibilidades para projetos espaciais de grande escala. A capacidade de construir estruturas maiores pode facilitar a geração de energia e a dissipação de calor, especialmente em conceitos como centros de dados orbitais. O satélite Replicator 2 serviu como prova de conceito para a produção de estruturas customizadas, adaptadas às necessidades específicas de cada missão.
Desafios e próximos passos
Apesar do sucesso na fabricação da viga, a missão não ocorreu sem percalços. Uma das quatro impressoras 3D a bordo apresentou uma anomalia e falhou em sua função secundária de auxiliar na implantação de um painel solar flexível. Até então, experimentos anteriores de impressão 3D em microgravidade eram realizados em ambientes controlados e pressurizados, como o interior da Estação Espacial Internacional. A demonstração da Orbital Matter é pioneira por ocorrer diretamente no vácuo.
A empresa já planeja sua próxima missão para 2028. Nesta nova etapa, uma impressora de maior porte será utilizada em um satélite maior, com o objetivo de implantar um painel solar capaz de gerar 5 kW de potência. A Orbital Matter visa expandir essa capacidade para sistemas com mais de 100 kW por asa até 2030.
A startup, fundada em 2022 e que captou US$ 3 milhões em sua rodada inicial, também colabora com a Agência Espacial Europeia (ESA), a Thales Alenia e outros fabricantes de satélites. O sistema de implantação assistida por impressora, chamado PADS, poderá ser integrado em futuras espaçonaves para estender painéis solares, antenas e outros componentes.
Matérias originais
- Impressora 3D funciona no espaço e constrói estrutura em plena órbita · canaltech.com.br



