ONU: Restauração de ecossistemas está aquém da meta global de 1 bilhão de hectares

Destaques
- •Apenas 252 milhões de hectares de ecossistemas degradados foram restaurados globalmente, menos de um terço da meta de 1 bilhão de hectares até 2030.
- •A Ásia lidera os esforços, com a China respondendo pela maior parte, mas o progresso em ecossistemas de água doce e marinhos é limitado.
- •Financiamento anual para restauração precisa triplicar, de US$ 64 bilhões para US$ 296 bilhões, para atingir os objetivos globais.
A restauração de ecossistemas degradados em 149 países está em andamento em 252 milhões de hectares, um número significativamente inferior à meta global de 1 bilhão de hectares até 2030. A informação foi divulgada pela agência ambiental das Nações Unidas na quinta-feira (29).
O compromisso de restaurar cerca de 1 bilhão de hectares e garantir que pelo menos 30% dos ecossistemas mundiais estejam sob proteção efetiva faz parte do Acordo Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal, assinado no final de 2022. O relatório, publicado durante negociações sobre biodiversidade em Yerevan, na Armênia, indica que a meta de restauração terrestre está próxima da metade, mas o progresso em ecossistemas de água doce e marinhos é limitado, apesar de suas taxas de degradação serem mais rápidas.
Progresso por Continente e Ecossistemas
Dos 252 milhões de hectares em restauração, a Ásia lidera com 192,2 milhões de hectares. A China é o principal contribuinte, com 127,4 milhões de hectares restaurados. O relatório da ONU, intitulado Relatório de Progresso da Restauração, aponta que, embora a restauração terrestre tenha avançado, os esforços em ecossistemas aquáticos e marinhos precisam de maior atenção.
Apesar da necessidade urgente, o progresso em áreas como manguezais e recifes de coral, cruciais para a biodiversidade e proteção costeira, tem sido mais lento. A degradação nesses ambientes, que afetam diretamente comunidades costeiras e a pesca, exige um foco intensificado e recursos adequados para reverter o quadro.
Financiamento e Benefícios Econômicos
Para alcançar as metas estabelecidas, o financiamento anual para a restauração de ecossistemas precisa aumentar substancialmente. O relatório estima que os recursos necessários saltarão de US$ 64 bilhões para US$ 296 bilhões até 2030. Esse montante inclui investimentos específicos para agrossilvicultura (US$ 87 bilhões), reflorestamento restaurativo (US$ 52 bilhões) e restauração de turfeiras (US$ 44 bilhões).
Aumentar os gastos em restauração apresenta fortes argumentos econômicos. Segundo o relatório, mais da metade do produto interno bruto (PIB) global depende de atividades econômicas que são altamente dependentes da natureza. A restauração de 15% dos ecossistemas prioritários do mundo tem o potencial de capturar e armazenar 30% das emissões industriais de CO₂ e evitar 60% das extinções de espécies, gerando benefícios ambientais e econômicos a longo prazo.
Próximos Passos e Metas Futuras
O relatório da ONU serve como um alerta para a comunidade internacional intensificar os esforços e o investimento em restauração de ecossistemas. As negociações em Yerevan buscam reforçar o compromisso com as metas de biodiversidade e financiamento.
A meta de restaurar 1 bilhão de hectares até 2030 e proteger 30% dos ecossistemas globais exige ações coordenadas e um aumento significativo no financiamento. A comunidade internacional terá que acelerar o ritmo para reverter a degradação ambiental e garantir um futuro sustentável.



