ONU aprova resolução contra embargo dos EUA a Cuba com apoio reduzido

Destaques
- •Assembleia Geral da ONU aprovou resolução contra o bloqueio econômico dos EUA a Cuba com 130 votos favoráveis, o menor apoio em 30 anos.
- •Embaixador cubano em Brasília, Victor Manuel Cairo Palomo, lamentou o custo humano do bloqueio, citando mortes de bebês por falta de medicamentos e combustível.
- •Cuba busca contornar o bloqueio com reforma econômica e investimento em energia solar e produção de alimentos.
A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou, nesta terça-feira (29), uma resolução contra o bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos a Cuba há mais de seis décadas. A votação, que contou com 130 votos favoráveis, 17 contrários e 25 abstenções, registrou o menor apoio à ilha caribenha em 30 anos. O Brasil esteve entre os países que votaram a favor da resolução.
Apesar do placar desfavorável, o embaixador de Cuba no Brasil, Victor Manuel Cairo Palomo, celebrou a aprovação como uma "grande vitória" para o povo cubano. Ele criticou o que chamou de "práticas do fascismo" lideradas pelos EUA, incluindo "chantagens e ameaças a países pequenos" e "imposição de guerras econômicas".
Queda no apoio internacional
O apoio à resolução contra o embargo, que já chegou a somar mais de 190 votos favoráveis, tem diminuído progressivamente. Em 2024, apenas Israel e os EUA votaram contra a proposta. Neste ano, 17 países se posicionaram contra a condenação do bloqueio, incluindo nações como Argentina, Colômbia, Equador e Ucrânia.
Um número significativo de países, 25 no total, optou pela abstenção, um aumento considerável em relação a anos anteriores. Nações latino-americanas como Chile, Honduras e Peru, que historicamente apoiavam Cuba, estiveram entre os que não votaram, reflexo de uma campanha do governo de Donald Trump para convencer aliados a rejeitarem a resolução.
Custo humano e sanções secundárias
Em entrevista à Agência Brasil na embaixada em Brasília, o embaixador Palomo destacou o "custo humano" da política dos EUA, classificando o bloqueio como ilegal pelo direito internacional. Ele relatou que mais de 1.500 crianças morreram em Cuba por falta de acesso a medicamentos e combustível para incubadoras.
Palomo também detalhou o impacto das sanções secundárias, que punem empresas estrangeiras que negociam com Cuba. Segundo ele, mais de 7 mil contêineres comprados pelo país estão parados em portos pelo mundo, pois as transportadoras temem represálias dos EUA. O embaixador criticou o endurecimento do bloqueio desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca em janeiro de 2025, que levou a três meses sem recebimento de petróleo, resultando em apagões de mais de dez horas em Havana.
Reforma econômica e próximos passos
Diante da "asfixia econômica", Cuba tem buscado contornar o bloqueio com uma reforma econômica. O embaixador Victor Manuel Cairo Palomo afirmou que ainda é cedo para avaliar os resultados, mas que estudos internos indicam condições mais favoráveis para aumentar a produção.
A ilha caribenha está acelerando a mudança para a matriz energética solar, com apoio da China, e intensificando a produção de alimentos. "Nosso país não pode esperar que o presidente dos EUA queira mudar seu genocídio contra a Cuba", concluiu Palomo.
Matérias originais
- Sob pressão de Trump, Cuba comemora aprovação na ONU contra bloqueio · agenciabrasil.ebc.com.br



