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Onda de ataques cibernéticos afeta redes de supermercados e bancos de sangue na Europa

05 de novembro de 2026
Onda de ataques cibernéticos afeta redes de supermercados e bancos de sangue na Europa

Destaques

  • •Ataques cibernéticos em larga escala exploram falhas de segurança em sistemas de refrigeração de redes varejistas e serviços de saúde na Europa.
  • •Criminosos alteram temperaturas de freezers e câmaras frias, causando perdas de estoque e riscos à conservação de produtos perecíveis e biológicos.
  • •Especialistas alertam para a necessidade de segmentação de rede e proteção de dispositivos conectados para evitar novas invasões.

Uma onda de ataques cibernéticos, iniciada na França e que se intensificou em diversos países da Europa, tem exposto graves brechas de segurança na automação comercial, afetando redes de supermercados e, mais recentemente, um serviço de banco de sangue. O que parecia ser um incidente isolado transformou-se em uma ameaça contra a infraestrutura de grandes redes varejistas, com sinais de alerta se espalhando rapidamente na Bélgica, Luxemburgo, Suécia e Espanha. Marcas como a Ahold Delhaize relataram falhas súbitas em unidades. Em paralelo, o serviço de sangue da França, o Etablissement Français du Sang (EFS), também foi alvo, com cibercriminosos invadindo o software de monitoramento remoto de câmaras frias usadas para armazenar amostras e plasma.

Impacto e motivações dos ataques

A escolha de sistemas de refrigeração como alvo principal gera um impacto financeiro imediato e destrói o estoque de produtos perecíveis em poucas horas. Ao elevar a temperatura dos freezers de forma drástica, os invasores causam perdas materiais graves e interrompem a cadeia de suprimentos. No caso do EFS, embora equipamentos tenham sido encontrados com temperaturas elevadas, um técnico de plantão evitou danos ao material armazenado. A manipulação prolongada dos ciclos de degelo sugere que os cibercriminosos possuíam um conhecimento detalhado sobre a operação dos controladores comerciais das marcas afetadas, como Danfoss, Copeland e Dixell.

O especialista em cibersegurança Daniel Cunha Barbosa avalia que o sucesso desse tipo de investida indica o uso prévio de equipamentos similares pelos criminosos. A popularização desse tipo de invasão decorre da transição tecnológica nos estabelecimentos comerciais, onde dispositivos antes mecânicos passaram a integrar redes conectadas à internet para monitoramento e controles remotos.

Como os ataques são realizados e as falhas de segurança

O mecanismo de invasão explora painéis de controle de temperatura que, muitas vezes, ficam conectados à internet sem proteção adequada ou utilizam credenciais fracas. Com o acesso remoto liberado, os cibercriminosos alteram os parâmetros de fábrica e forçam o desligamento dos compressores ou acionam o aquecimento máximo. A ausência de barreiras entre a rede administrativa do supermercado e os dispositivos industriais facilita a ação maliciosa.

Conforme detalha Daniel Cunha Barbosa, a falta de isolamento adequado permite que qualquer brecha comprometa toda a infraestrutura física do local. "A principal falha de segurança de rede é, sem dúvida, não possuir segmentação de rede alguma. Isso faz com que qualquer pessoa mal-intencionada com acesso aos equipamentos possa acessar qualquer outro dispositivo presente na rede", observa.

O pesquisador sugere que, em ambientes críticos, as empresas adotem a postura de mínimo privilégio possível (least privilege), pois "ajuda a garantir que apenas o que for extremamente necessário para o funcionamento do ambiente terá permissão para trafegar entre as redes". Paralelamente, Ensar Seker, Diretor de Segurança da Informação da SOC Radar, elenca a "correção em etapas" como etapa fundamental para as empresas que usam sistemas de refrigeração.

Riscos futuros e infraestruturas críticas

Incidentes contra infraestruturas físicas vêm ocorrendo, porém ocorrências em massa direcionadas às cadeias de frio representam um novo patamar de risco. Para Ensar Seker, a ausência de um pedido de resgate imediato não descarta motivações financeiras e reforça que a infraestrutura de refrigeração é um alvo atrativo pela rapidez do dano físico causado. "A infraestrutura da cadeia de frio é um alvo atraente porque a interrupção operacional pode se transformar rapidamente em perda física. Um invasor não precisa roubar informações para impor custos: alterar uma configuração de controle pode ser suficiente", pontua o executivo.

Pesquisadores de vulnerabilidades em automação industrial da agência francesa ANSSI e analistas da Europol identificam que o risco de ataques direcionados e destrutivos contra eletrodomésticos residenciais é menor, pois os invasores buscam alvos industriais e comerciais de grande porte pelo impacto operacional imediato e pela facilidade de localização de painéis expostos na internet sem proteção adequada. O padrão prático deve ser se um varejista consegue detectar, conter e se recuperar de manipulações maliciosas de temperatura antes que o estoque se torne inseguro.

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