Neurocientista ensina método para "apagar" pessoas da mente

Destaques
- •Livro "Apague aquela pessoa da sua mente" propõe técnicas baseadas em neurociência e psicologia para lidar com pensamentos obsessivos.
- •Experimento do "urso branco" demonstra que tentar não pensar em algo pode intensificar a obsessão.
- •Recomendações incluem focar em novos interesses, gerenciar o tempo livre e registrar pequenas vitórias contra pensamentos intrusivos.
O neurocientista japonês Michihito Sugawara, autor do livro "Apague aquela pessoa da sua mente", publicado pela Fontanar, propõe um método para lidar com pensamentos obsessivos sobre pessoas que causam mal-estar. Com mais de 25 anos de experiência em clínicas de saúde mental em Tóquio, Sugawara identificou que a dificuldade em esquecer alguém que nos prejudica é uma queixa comum e que pode sabotar a qualidade de vida.
O livro se baseia em conceitos da psicologia e neurociência para desconstruir a relação mental com essas pessoas. Um dos pilares da abordagem é o famoso experimento do "urso branco", realizado em 1987. Nele, um grupo instruído a não pensar em um urso branco pensou nele com frequência muito maior do que o grupo que foi instruído a pensar. Isso ilustra que a tentativa de suprimir pensamentos indesejados pode, na verdade, intensificá-los.
O "urso branco" da vida real
Sugawara explica que, assim como no experimento, tentar não se importar com alguém que nos causa estresse, seja no trabalho ou na família, pode gerar o efeito contrário. A pessoa indesejada se torna uma "assombração" mental, presente ao longo do dia e da noite. O livro oferece um conjunto de orientações para reduzir a intensidade desses pensamentos obsessivos ou, quando possível, "deletá-los" da mente.
Estratégias para "apagar" pensamentos
O neurocientista apresenta três medidas eficazes, embasadas na literatura científica, para combater esses pensamentos intrusivos. A primeira é encontrar algo que desperte interesse genuíno, como um novo hobby ou curso, para expandir horizontes e ocupar a mente. A segunda medida envolve mudar a forma como o tempo livre é utilizado, evitando "brechas" para que a consciência retorne à pessoa indesejada, sugerindo leitura, séries ou organização de planos.
A terceira recomendação é registrar as pequenas mudanças e os progressos diários em evitar os pensamentos obsessivos. Acompanhar essas vitórias, mesmo que pequenas, pode ajudar a virar o jogo contra o estresse emocional causado por essas memórias ou circunstâncias.
Quando procurar ajuda profissional
É fundamental ressaltar que imagens e pensamentos intrusivos e obsessivos podem ser sintomas de transtornos mentais, como o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), que exigem diagnóstico e tratamento médico especializado. Sugawara aconselha que, se esses pensamentos estiverem devastando a vida emocional, a busca por um profissional de saúde é indispensável.
Matérias originais
- O neurocientista japonês que ensina a desamarrar aquela pessoa da sua mente · veja.abril.com.br


