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Câncer de pulmão: mulheres jovens e não fumantes são mais diagnosticadas

26 de outubro de 2026

Destaques

  • •Taxas de câncer de pulmão aumentam em mulheres, jovens e não fumantes, superando mortes por câncer de mama.
  • •Novas diretrizes de rastreamento expandem elegibilidade, mas adesão ainda é baixa entre fumantes.
  • •Fatores genéticos e ambientais, além do tabagismo, são cruciais para o diagnóstico e tratamento.

O perfil do câncer de pulmão tem mudado drasticamente nos últimos 15 anos. Tradicionalmente associado a homens idosos fumantes, a doença agora afeta mais mulheres, jovens e pessoas que nunca fumaram. O câncer de pulmão já é a principal causa de morte por câncer entre mulheres no Brasil, superando o câncer de mama, ovário e colorretal combinados. Enquanto as taxas de mortalidade pela doença diminuíram entre homens, elas aumentaram significativamente entre mulheres.

A notícia sobre o diagnóstico de câncer de pulmão do Papa Leão XIV em 2026, que não é fumante, reacendeu o debate sobre as causas da doença em não fumantes. Embora o diagnóstico precoce, como no caso do Papa, possa levar à cura por meio de cirurgia, pessoas que nunca fumaram não estão atualmente contempladas nas diretrizes de rastreamento. Isso resulta na detecção de tumores em estágios mais avançados, muitas vezes de forma incidental.

Mudança no perfil e fatores de risco

Uma das explicações para o aumento em mulheres é que elas começaram a fumar mais tarde que os homens, adiando o pico de diagnósticos relacionados ao tabagismo. Além disso, o uso de cigarros com filtro, mais comum quando as mulheres começaram a fumar, está associado a um maior risco de adenocarcinoma, um tipo específico de câncer de pulmão. Estudos sugerem que mulheres podem ser mais suscetíveis aos efeitos cancerígenos do tabaco e da fumaça passiva, desenvolvendo a doença após menos tempo de exposição.

No entanto, é crucial notar que cerca de 20% das mulheres diagnosticadas com câncer de pulmão nunca fumaram. Fatores de risco adicionais incluem histórico familiar da doença, exposição a substâncias como amianto, radônio, poluição do ar, e agentes químicos no ambiente de trabalho, como arsênico e níquel. O uso de cigarros eletrônicos e a fumaça da maconha também são áreas de crescente preocupação e pesquisa.

Pesquisadores também identificaram um papel para a genética. Assim como as mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 estão ligadas ao câncer de mama, alterações em genes que promovem ou protegem contra tumores podem influenciar o desenvolvimento do câncer de pulmão. A identificação de genes de suscetibilidade e biomarcadores pode ser fundamental para a detecção precoce em grupos de risco.

Rastreamento e diagnóstico

Em 2021, as diretrizes de rastreamento de câncer de pulmão nos Estados Unidos foram atualizadas para incluir pacientes mais jovens com histórico de tabagismo mais curto. O rastreamento é recomendado para adultos de 50 a 80 anos com histórico de 20 maços-ano de tabagismo (atuais ou ex-fumantes que pararam nos últimos 15 anos). Apesar da atualização, a adesão ao rastreamento é baixa: menos de 6% de fumantes elegíveis realizam o exame, comparado a mais de 70% de mulheres elegíveis para rastreamento de câncer de mama.

Novas terapias direcionadas e imunoterapias têm melhorado o prognóstico. Mulheres, especialmente as não fumantes com alterações moleculares específicas, tendem a ter um melhor prognóstico. Contudo, os sintomas do câncer de pulmão, como tosse, falta de ar, fadiga e dor, podem ser sutis e confundidos com outras doenças. Mulheres mais jovens podem adiar a busca por ajuda médica, e os médicos podem não considerar câncer de pulmão devido à idade da paciente, levando a atrasos no diagnóstico.

O reconhecimento dos sintomas precoces, a ampliação do rastreamento e testes genéticos são passos essenciais para combater a crescente epidemia de câncer de pulmão em mulheres.

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