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Cigarros eletrônicos com nicotina prejudicam jovens como tabaco comum, aponta estudo

26 de outubro de 2026
Cigarros eletrônicos com nicotina prejudicam jovens como tabaco comum, aponta estudo

Destaques

  • •Estudo na JAMA Network revela que jovens que usam vapes com nicotina diariamente sofrem perdas na capacidade respiratória e dilatação de vasos sanguíneos.
  • •Pesquisa comparou fumantes de vapes com nicotina, fumantes de cigarros convencionais e não fumantes, encontrando danos cardiorrespiratórios similares entre os dois grupos de fumantes.
  • •Apesar da proibição no Brasil, o uso de cigarros eletrônicos entre estudantes de 13 a 17 anos mais que dobrou desde 2019, segundo o IBGE.

Jovens que fumam diariamente cigarros eletrônicos com nicotina podem sofrer perdas na capacidade respiratória e dilatação dos vasos sanguíneos, com danos semelhantes aos causados pelo tabaco convencional. A constatação é de um estudo publicado em 21 de outubro na JAMA Network, plataforma de periódicos médicos da American Medical Association (AMA).

A pesquisa acompanhou 58 jovens adultos entre julho de 2023 e abril de 2025. Desses, 17 usaram diariamente apenas vapes com nicotina, 19 fumaram cigarros convencionais e 22 formaram o grupo de controle, sem uso de nenhum dos produtos. Foram avaliadas a função vascular, por meio da dilatação mediada pelo fluxo (DMF) e reatividade da artéria carótida (RAC), e a aptidão cardiorrespiratória, através de testes de esforço cardiopulmonar máximo.

Danos cardiorrespiratórios e vasculares

Os resultados indicaram que os jovens que utilizavam cigarros eletrônicos com nicotina apresentaram reatividade reduzida da artéria carótida e menor consumo máximo de oxigênio. Esses índices foram comparáveis aos observados em jovens que fumaram cigarros convencionais, e inferiores aos do grupo de controle.

O cirurgião vascular Herik Oliveira, da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), explica que a nicotina causa aumento da pressão arterial e frequência cardíaca, gerando estresse nos vasos. Isso pode favorecer inflamação, formação de trombos e enfraquecimento da parede arterial, aumentando o risco de eventos cardiovasculares como hipertensão, infarto, AVC e aneurismas.

Oliveira ressalta que esses danos podem ocorrer mesmo sem sintomas aparentes em jovens, pois o corpo tem capacidade de adaptação aos prejuízos da nicotina por anos. Um estudo publicado na revista Neurology, da Academia Americana de Neurologia (AAN), já havia apontado o tabagismo como causa para o aumento de AVCs em adultos jovens entre 1993 e 2020.

Percepção equivocada e apelo visual

O cirurgião vascular aponta que muitos jovens acreditam erroneamente que os vapes são menos prejudiciais por desinformação e pressão social. Eles tendem a pensar que se trata apenas de vapor d’água, ignorando os riscos.

O consumo é impulsionado pela influência de amigos, redes sociais e festas, além de um design moderno e compacto que facilita o porte discreto. Os líquidos e aerossóis com sabores de doce disfarçam a sensação da nicotina, tornando o uso mais atraente para esse público.

Uso crescente no Brasil apesar da proibição

Apesar da venda de cigarros eletrônicos ser proibida no Brasil desde 2009 pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o uso entre estudantes de 13 a 17 anos tem crescido exponencialmente. Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar de 2024, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 29,6% dos estudantes já experimentaram o produto, um aumento significativo em relação aos 16,8% registrados em 2019.

Em 2024, a Anvisa reforçou a proibição da venda, fabricação, importação e publicidade de cigarros eletrônicos. Mesmo as versões sem nicotina podem conter metais pesados, aromatizantes químicos e toxinas que causam estresse oxidativo, inflamação e disfunção endotelial.

Tratamento e apoio para parar de fumar

Para quem deseja parar de usar cigarros eletrônicos, o cirurgião vascular Herik Oliveira recomenda uma abordagem multidisciplinar, envolvendo psicólogos, pneumologistas e pediatras. Em casos de dependência mais intensa, a terapia de reposição de nicotina pode ser indicada.

Mudanças de hábitos, prática de exercícios físicos para reduzir a ansiedade e o descarte dos dispositivos são essenciais. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento gratuito para cessação do tabagismo por meio do Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PNTC), disponível em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS).

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