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Netflix demite executivos e enfrenta queda nas ações após resultados fracos

23 de outubro de 2026
Netflix demite executivos e enfrenta queda nas ações após resultados fracos

Destaques

  • •Gigante do streaming demite 6% de seus funcionários e executivos criativos em meio a preocupações com receita.
  • •Ações da Netflix caíram quase pela metade no último ano, com previsão de desaceleração no crescimento da receita.
  • •Empresa busca reverter cenário com novo chefe de conteúdo e expansão em anúncios e entretenimento ao vivo.

A Netflix desencadeou uma onda de demissões em Hollywood, dispensando cerca de 6% de seus funcionários e alguns de seus executivos criativos mais importantes. A medida visa acalmar as preocupações dos investidores sobre o impacto da falta de séries de sucesso em sua receita, mas a situação da empresa se mostra mais complexa.

Os resultados trimestrais divulgados em outubro revelaram uma crise na gigante do streaming. A Netflix reportou um crescimento de receita de 11,8% no terceiro trimestre em relação ao ano anterior, mas previu que esse número cairia para 11,5% nos últimos três meses de 2023, uma desaceleração significativa em comparação com os 17,6% projetados para o mesmo período de 2025. Essa notícia levou as ações da empresa a despencarem, com seu valor de mercado caindo quase pela metade no último ano.

Executivos demitidos e reestruturação de conteúdo

Em resposta a um ano de audiência fraca e desempenho abaixo do esperado em premiações, a Netflix demitiu Bela Bajaria, chefe de conteúdo, e outros dois executivos seniores. Bajaria, que estava na empresa há quase dez anos, foi substituída por Peter Rice, com passagens pela Fox e Disney. A expectativa é que Rice consiga reverter a queda na audiência de suas séries nos Estados Unidos.

No entanto, a responsabilidade geral pela estratégia de conteúdo permanece com os co-CEOs Ted Sarandos e Greg Peters. Analistas questionam a decisão de demitir Bajaria sem alterar a liderança sênior, como apontou a empresa de análise de mercado LightShed Partners.

Competição acirrada e novos modelos de negócio

A tentativa frustrada da Netflix de adquirir os estúdios da Warner Bros. Discovery no ano passado, perdendo para a rival Paramount Skydance, foi vista por alguns como uma distração e um sinal de falta de confiança nas perspectivas da empresa. Tom Harrington, da Enders Analysis, criticou a abordagem, sugerindo que a produção interna seria mais eficaz do que a aquisição de um grande estúdio.

O cenário competitivo mudou drasticamente. O YouTube, segundo a Nielsen, tem atraído mais espectadores em TVs do que a Netflix nos últimos quatro anos. Plataformas como TikTok e Instagram dominam a atenção em dispositivos móveis. A Netflix tem tentado se adaptar com vídeos curtos, atraindo criadores do YouTube e expandindo para entretenimento ao vivo, mas a resposta à concorrência parece desorganizada, segundo Harrington.

Desafios na receita publicitária e futuro incerto

Apesar dos desafios, a Netflix ainda se beneficia de seu modelo de assinatura, onde os usuários pagam para assistir, diferentemente do YouTube. A estratégia de venda de anúncios, iniciada em 2022 e sob responsabilidade de Greg Peters, tem apresentado resultados abaixo do esperado. Peters reduziu a previsão de receita publicitária para este ano de US$ 3 bilhões para US$ 2,7 bilhões, devido a atrasos na adoção de novos produtos. A continuidade da atração de espectadores por outras plataformas pode dificultar ainda mais o atingimento dessas metas, deixando o futuro da empresa em aberto.

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