Netanyahu consolida vitória em eleições israelenses e mira ação contra Irã

Destaques
- •Benjamin Netanyahu, do partido Likud, obteve apoio expressivo em eleições israelenses, com projeção de maioria para seu bloco de direita.
- •O primeiro-ministro sinalizou possível ação militar conjunta contra o Irã com os EUA, sob a liderança de Donald Trump.
- •A contagem final dos votos definirá a formação de um governo de direita e a permanência de Netanyahu no cargo.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, conquistou um apoio inesperadamente expressivo dos eleitores israelenses em eleições consideradas um ponto de inflexão histórico para o país. Com a apuração de cerca de 70,7% dos votos na manhã de quarta-feira, a mídia israelense projetava que o bloco de Netanyahu, composto por partidos de direita, extrema-direita e ultraortodoxos, alcançaria 54 cadeiras no Parlamento. Este resultado supera as projeções de 47 cadeiras para o bloco de oposição liderado por Gadi Eisenkot.
Embora os resultados ainda possam sofrer alterações com a continuidade da contagem, a vitória de Eisenkot parecia cada vez mais distante. Seu bloco, formado por partidos anti-Netanyahu, teve um desempenho inferior às pesquisas pré-eleitorais, que indicavam uma disputa mais acirrada. Mesmo com a perda da maioria absoluta de seu bloco no Knesset (parlamento de 120 assentos), os oponentes de Netanyahu enfrentam dificuldades para destituí-lo sem o apoio de partidos árabes, o que muitos consideram improvável. Netanyahu permanecerá como interino durante as negociações de coalizão ou até uma nova eleição.
Netanyahu busca formar governo de direita e mira o Irã
Dirigindo-se aos seus apoiadores em Jerusalém, Netanyahu pediu a formação de "um governo nacional forte e de direita". Ele também destacou os sucessos militares de Israel e levantou a possibilidade de uma nova ação militar conjunta contra o Irã, ao lado de seu aliado, o presidente dos EUA, Donald Trump.
"Israel enfrenta uma oportunidade histórica única, juntamente com nosso parceiro, o presidente Trump, de eliminar de uma vez por todas a ameaça existencial do Irã. Mas motivos ocultos não devem nos desviar dessa missão sagrada", afirmou Netanyahu.
Donald Trump, que havia apelado aos eleitores israelenses para manterem Netanyahu no poder, declarou que o primeiro-ministro se saiu "muito bem" graças ao seu apoio. "Acho que, quando o apoio foi divulgado, isso o ajudou muito, mas, na verdade, ouvi dizer que ele se saiu muito bem. Pode ser uma vitória ou um empate. O empate é, de certa forma, considerado uma vitória nesse caso, porque é uma grande partida de xadrez", disse Trump.
Oposição reconhece derrota e alerta para uso político da segurança
O líder da oposição, Gadi Eisenkot, reconheceu que Netanyahu ocupa o cargo de forma interina, mas argumentou que o primeiro-ministro perdeu o apoio popular e o instou a se retirar da vida política. Eisenkot também alertou que Netanyahu poderia utilizar a segurança nacional para fins políticos.
"Faço um apelo aos chefes do aparato de segurança e do serviço público: Netanyahu é um primeiro-ministro interino, sem mandato nem a confiança do povo", declarou Eisenkot.
Projeções e composição parlamentar
Dados mais recentes do Comitê Central de Eleições, com 57,3% dos votos apurados, indicavam o partido Likud na liderança, com 20,8% dos votos e projeção de 27 cadeiras. O bloco de Netanyahu, incluindo aliados como Judaísmo Unido da Torá (9 cadeiras), Shas (7 cadeiras), Poder Judaico e Sionismo Religioso (6 cadeiras cada), somaria um número significativo de assentos.
A oposição, liderada por Eisenkot, projetava 21 assentos para seu partido. Outras forças políticas, como Bayjad (11 cadeiras), democratas (9 cadeiras) e Yisrael Beytenu (8 cadeiras), comporiam um bloco competitivo. Os partidos árabes também teriam representação, com a Lista Conjunta obtendo cerca de 12 cadeiras e a formação islamista Raam alcançando quatro representantes.
As projeções provisórias contrastam com pesquisas anteriores que favoreciam o bloco de Eisenkot, indicando que o voto nas urnas configurou um panorama diferente do previsto. A coalizão de Netanyahu, apesar de liderar a contagem, ainda não atingiu as 61 cadeiras necessárias para garantir uma maioria governamental sólida.
Matérias originais
- Netanyahu sobrevive com apoio inesperadamente expressivo dos judeus israelenses · infomoney.com.br
- Likud de Netanyahu permanece na liderança na contagem eleitoral em Israel · operamundi.uol.com.br



