Nasa simula pouso complexo da sonda Dragonfly em Titã

Destaques
- •A sonda Dragonfly da Nasa realizou uma simulação de pouso em tempo real em solo simulado de Titã, a maior lua de Saturno.
- •O teste, considerado o mais abrangente já feito, utilizou todos os sistemas de voo e sensores da aeronave, que tem lançamento previsto para 2028.
- •A Nasa planeja realizar o primeiro voo em sistema real da Dragonfly e testar respostas a falhas propositais para garantir autonomia em Titã.
A sonda Dragonfly, da Nasa, realizou uma simulação de pouso em tempo real em um ambiente que replicava as condições de Titã, a maior lua de Saturno. A aeronave acelerou sobre dunas de areia simuladas, escaneou o terreno hostil e pousou suavemente. O teste, conduzido nas instalações do Laboratório de Física Aplicada (APL) da Universidade Johns Hopkins, em Maryland, nos Estados Unidos, é considerado o mais abrangente e complexo já realizado pela agência espacial, utilizando a maior parte dos sistemas e manobras que a Dragonfly empregará quando chegar a Titã, em 2034.
O teste mais complexo da missão
A simulação reuniu o software de voo e os aviônicos da Dragonfly com dados fornecidos por sensores que a nave utilizará em Titã. Entre eles estão câmeras de navegação, unidades de medição inercial e o sistema lidar, que mede a altitude, a inclinação do terreno e identifica perigos. "O mais legal sobre o primeiro voo é que ele é o nosso voo mais desafiador. Ele utiliza cada um dos sensores de voo do módulo de pouso", disse Zach Putnam, engenheiro-chefe do subsistema de mobilidade da Dragonfly no APL.
O desenvolvimento das capacidades de voo da Dragonfly foi gradual, começando com simulações de atividades simples, como o giro de um único rotor. Testes posteriores resultaram em voos curtos de reposicionamento e voos parciais de reconhecimento, com a adição de mais sensores e capacidades a cada etapa. A equipe gerou um terreno simulado para o sistema lidar e criou, em tempo real, as imagens que as câmeras de navegação da Dragonfly veriam, utilizando unidades de processamento gráfico (GPUs) para renderizar cada cena simulada de Titã.
Viagem e objetivos em Titã
O lançamento da Dragonfly está previsto para 2028, em uma viagem que deve durar cerca de seis anos até a maior lua de Saturno. Uma vez em Titã, a aeronave passará três anos explorando diversos locais, estudando a química, a geologia e a atmosfera do satélite. A missão tem como objetivo esclarecer questões sobre Titã, que apresenta semelhanças com a Terra, visando avançar no entendimento sobre as origens químicas da vida.
A autonomia da sonda é crucial, pois ela terá que voar sem ajuda em tempo real vinda da Terra. "Essa autonomia é essencial em Titã, onde a Dragonfly terá que voar sem ajuda em tempo real vinda da Terra", afirmou Putnam.
Próximos passos e testes físicos
A Nasa planeja executar o primeiro voo da Dragonfly no sistema de voo real da aeronave, e não apenas em uma bancada de testes. Os engenheiros também testarão outros perfis de voo e criarão falhas propositais para garantir que a sonda saiba responder a imprevistos.
Paralelamente aos testes digitais, engenheiros da Lockheed Martin, no Colorado, estão conduzindo avaliações físicas no mecanismo de "pose" da Dragonfly. Essa estrutura de alumínio é responsável por rebaixar o drone de sua posição recolhida dentro do escudo traseiro até o ponto de liberação, permitindo que os rotores sejam acionados com segurança durante a descida de paraquedas. Os testes avaliam a resistência mecânica do sistema sob cargas extremas e simulam o balanço do robô pendurado no paraquedas na atmosfera de Titã.


