Musique revoluciona direitos autorais com acervo próprio e IA

Destaques
- •Startup brasileira Musique oferece alternativa para pagamento de direitos autorais em lojas.
- •Plataforma utiliza IA para criação de campanhas sonoras e gestão de acervo autoral, prometendo redução de custos.
- •Empresa mira expansão focada em grandes redes varejistas e busca consolidar segurança jurídica para novos clientes.
A startup pernambucana Musique desenvolveu um modelo de negócio inovador para o pagamento de direitos autorais de músicas executadas em estabelecimentos comerciais. Fundada em 2016, a empresa passou a gerenciar um acervo próprio de mais de 15 mil músicas, permitindo que varejistas reduzam drasticamente ou eliminem os custos com o Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição). Segundo André Domingues, CEO da Musique, redes de varejo podem desembolsar entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão anualmente em direitos autorais, com casos que chegam a R$ 5 milhões. A Musique propõe uma gestão individualizada das obras, sem outorga ao Ecad, licenciando seu catálogo diretamente aos clientes.
O diferencial da Musique: tecnologia e gestão autoral
O principal argumento da Musique para atrair grandes redes não é apenas a música em si, mas a tecnologia aplicada à experiência sonora. A plataforma permite padronizar a programação musical em centenas de lojas simultaneamente, regionalizar parte do repertório e monitorar o que está sendo tocado em cada unidade. Essa padronização é crucial quando o cliente adota o acervo proprietário da Musique, pois tocar músicas fora do catálogo licenciado pode acarretar multas.
A inteligência artificial (IA) desempenha um papel importante na otimização da produção e na criação de campanhas sonoras. Embora a construção da identidade musical de cada marca seja um processo humano, baseado em briefing e perfil de público, a IA potencializa o volume criativo do time de compositores parceiros. Além disso, a plataforma permite que gestores de marketing criem locuções e campanhas em minutos, que são distribuídas instantaneamente para todas as lojas da rede no Brasil.
Segurança jurídica e expansão de mercado
A Musique tem investido em se tornar uma publisher, criando códigos de identificação próprios para cada música de seu acervo. Essa medida visa reforçar a segurança jurídica para clientes mais conservadores e facilitar a conversão de novos negócios. A empresa já gerencia mais de 5 mil pontos de venda em 14 países da América Latina, atendendo clientes como Marisa, Raia Drogasil, Volvo e Ri Happy.
O plano da Musique é crescer três vezes até o fim de 2027, alcançando de 150 a 200 clientes e mais de 10 mil pontos de venda. A empresa recebeu um aporte de R$ 3,5 milhões da HiPartners, fundo focado em retailtechs, que também auxiliou na abertura de portas com grandes varejistas. A expansão internacional ocorre de forma orgânica, por indicação de clientes multinacionais, mas o foco principal para os próximos anos permanece no mercado brasileiro.
Matérias originais
- Como a Musique fez grandes varejistas zerarem a conta com o Ecad · startups.com.br



