Flying Rivers atrai US$ 50 milhões do Green Climate Fund para fundo climático

Destaques
- •O Fundo II da Flying Rivers Capital recebeu um aporte de US$ 50 milhões do Green Climate Fund (GCF).
- •Um mecanismo inédito foi desenvolvido para mitigar perdas cambiais para investidores internacionais em caso de desvalorização do real.
- •O fundo buscará investir em seis a dez empresas brasileiras focadas em transição energética, segurança alimentar e recursos naturais.
A gestora independente Flying Rivers Capital atraiu um investidor âncora para seu segundo fundo, com meta de US$ 400 milhões (podendo chegar a US$ 500 milhões). O Green Climate Fund (GCF), fundo multilateral voltado ao financiamento climático, aprovou um investimento de US$ 50 milhões no Fundo II da gestora, liderada por Luciana Antonini Ribeiro. O aporte se soma a R$ 500 milhões já aprovados pelo BNDES, totalizando cerca de 35% do capital captado para o fundo.
Mecanismo inédito para atrair investidores internacionais
Para mitigar o risco cambial, a Flying Rivers desenvolveu, em conjunto com o GCF, um mecanismo que permite usar parte do retorno do organismo multilateral para compensar perdas de investidores internacionais em caso de desvalorização acentuada do real. A estrutura procura reduzir o risco de que o desempenho das empresas em moeda local seja corroído na conversão para o dólar.
O GCF investirá em condições iguais às dos demais cotistas, mas poderá abrir mão de parte de seu retorno para oferecer essa proteção. Trata-se da primeira estrutura desse tipo aprovada pelo fundo multilateral. "A maior barreira é o medo do investidor internacional de uma variação de câmbio", afirma Ribeiro. "O mecanismo é extremamente diferenciado e a reação dos técnicos do board foi dizer que era um 'gold standard project' que estava sendo aprovado e que será acompanhado para ser replicado em outros países."
Seleção rigorosa e foco em sustentabilidade
Para conseguir o aporte do GCF, a Flying Rivers venceu duas etapas: o aval do Ministério da Fazenda no Brasil e a análise técnica e decisão do conselho do GCF. No caso do BNDES, a estratégia foi uma das três selecionadas entre 45 candidatos em uma chamada pública para fundos de clima.
O segundo fundo da Flying Rivers buscará investir em seis a dez empresas brasileiras em fase de crescimento, focadas em transição energética, segurança alimentar e recursos naturais. Exemplos de oportunidades incluem armazenamento de energia em baterias, bioinsumos, irrigação, reciclagem avançada e geração de energia a partir de resíduos.
Estratégia e próximos passos
Além de aportar recursos, a Flying Rivers atuará na estruturação dos negócios, aproximando parceiros técnicos, clientes e financiadores, organizando contratos e criando condições para que as empresas obtenham crédito e ampliem suas operações. A gestora acredita que o cenário geopolítico atual amplia a relevância do Brasil e da América Latina para investidores que buscam diversificar suas cadeias de suprimento.
O Fundo II dará continuidade às teses e estratégias desenvolvidas sob o antigo guarda-chuva da eB Capital, que já havia captado e alocado mais de R$ 1 bilhão em seis empresas, como a plataforma de reciclagem de PET Cirklo e a produtora de biometano Bioo.



