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Morgan Stanley vê potencial de alta de 50% para ações brasileiras

22 de outubro de 2026

Destaques

  • •Relatório do Morgan Stanley projeta valorização significativa para ações brasileiras no cenário otimista.
  • •Setores como utilities e financeiras apresentam os maiores potenciais de alta, com Ibovespa podendo atingir 250 mil pontos.
  • •Próxima fase do mercado será mais seletiva, com desempenho dependendo da capacidade das empresas em capturar benefícios econômicos.

O Morgan Stanley projetou em seu relatório “Brazil in Spring – What Could Go Right?” que as ações brasileiras ainda possuem um espaço considerável para valorização, mesmo após o forte rali observado desde o primeiro turno das eleições presidenciais. Segundo os estrategistas Nikolaj Lippmann, Julia Leão Nogueira e Marcos Rios, uma análise focada nos aspectos financeiros das empresas (bottom-up) sugere um potencial de alta de aproximadamente 50% em dólar para as ações domésticas brasileiras, excluindo exportadoras, no cenário otimista (bull case).

Desde o resultado eleitoral, os ativos brasileiros experimentaram um rali generalizado, com cerca de 75% das ações do Ibovespa negociando acima de sua média móvel de 200 dias. Esse movimento contrasta com o MSCI de Mercados Emergentes e o S&P 500, que têm perdido força. Os analistas do banco afirmam que o mercado está em fase de ampliação e que ainda há espaço para ganhos adicionais.

Setores com maior potencial de valorização

No cenário otimista, os setores com maior potencial de valorização incluem utilities, financeiras, saúde, consumo discricionário, tecnologia da informação e ações domésticas. Para este último grupo, a expectativa é de valorização de cerca de 50%. Os maiores potenciais específicos são vistos em utilities (60%) e financeiras (55%). Neste cenário, o Ibovespa poderia atingir 250 mil pontos e o dólar cair para R$ 4,50.

Entre as ações com maior potencial de valorização na carteira recomendada do banco, destacam-se Nubank (NU; BDR: ROXO34) com 99% de upside e Axia Energia (AXIA3) com 92%. Outras empresas citadas com potenciais elevados são Banco do Brasil (BBAS3), Raia Drogasil (RADL3), Smart Fit (SMFT3), Copasa (CSMG3), Bradesco (BBDC4), Localiza (RENT3) e Rede D’Or (RDOR3).

O cenário "Primavera" e o investidor doméstico

O relatório revisita o conceito de “Cenário Primavera” para a América Latina, baseado em três pilares: taxas de juros mais baixas com espaço para afrouxamento monetário; políticas pró-investimento na região; e aceleração da multipolaridade, com novas oportunidades para economias emergentes. No Brasil, o cenário otimista depende da implementação de reformas fiscais, como racionalização de gastos e avanço da reforma administrativa.

Um catalisador adicional pode ser o retorno dos investidores domésticos ao mercado de ações brasileiro. Atualmente, fundos de ações locais representam apenas 4% do patrimônio total sob gestão no país, um nível historicamente baixo. Um eventual retorno desses investidores poderia gerar nova demanda por ações ligadas à economia brasileira.

Próximos passos e seletividade do mercado

O Morgan Stanley apresenta seu portfólio modelo para o Brasil, com principais posições em Axia Energia (8,5%), B3 (6,7%), BTG Pactual (BPAC11; 6,0%), Embraer (EMBJ3; 5,7%) e Sabesp (SBSP3; 5,8%). Há também exposição relevante em Petrobras (PETR4; 18,7%), Vale (VALE3; 10,9%) e Itaú Unibanco (ITUB4; 10,6%).

Apesar do cenário construtivo, os estrategistas alertam que a próxima fase do mercado tende a ser mais seletiva. Com o enfraquecimento do movimento generalizado de compressão de risco, o desempenho das ações deverá depender cada vez mais da capacidade das empresas em capturar os benefícios de um ambiente de juros menores, crescimento dos investimentos e avanço das reformas econômicas.

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